Viver na Espanha

Depresión

Tengo la necesidad de comentar una cosa. Tengo depresión. No lo sé si el verbo correcto sería tengo o estoy con, tener o estar, en este momento me dá igual. Hay días que miro por la ventana y, mismo que tenga un lindo día afuera veo todo gris. Hay días que levantarme de la cama es más dificil, otros más fáciles.

Tomo la medicina recomendada por el médico, la pedi. Empezaba a tener unos pensamentos que asustaron más a mi que a mi família. Creo que ellos creían que era una necesidad de mimo por mi parte, no comprenden lo cuanto me molesta y me lleva para la habitación oscura las dificultades de la vida, en este momento. Si, siempre fue la persona fuerte. La que movía la casa, la vida… pero ahora, uf… Como me cuesta.

Si, necesito de mimos, pero más que mimos, necesito que la vida me dê señales de que puedo creer en Dios y en las personas. Lo dejé de creer. Hace poco creía en energias, en el pensamiento mágico, en Dios y en muchas personas. Ahora, ya nada. Será por la depresión o será por la dureza de la vida lejos de mi País y de mi zona de confort? Puede ser, después de tanto luchar, mi alma pede un tiempo de refrigério, pero lo que encontro en la vida es la necesidad de luchar más y más.

Vivir en España tiene muchísimos puntos buenos, pero hay uno que me molesta sobremanera, mi trabajo, la fuerte presión que tenemos por números y la poca, mejor, poquísima pasta que cobramos. Llegar al día 10 y ya no tener dinero para un pequeño lujo como tomar una caña es muy duro. Pasar días a calle, sin comer, pues me preocupa no tener dinero para que mi família pueda comer me quita las ganas y las fuerzas. Y al trabajo, dicen que la culpa es mia, que soy la única responsable por no cobrar más, una vez que ellos me lo permitem cobrar cuanto quiera con las muchísimas ventas que puedo hacer. Pero como, si ni todos los clientes quieren mi servicio o producto? Pero como si ni todas las personas o negócios eston abiertos a estar con mi empresa? Tengo compañeros que cobran mucho más do que yo, no lo sé lo que hago de errado para no conseguirlo. Hago más puertas, más números, pero al final soy solo un número a empresa y tengo que aportar con ventas, que las aporto, pero sin puntos, o que no me leva a cobrar comisión.

Eso todo me quema y me deja con la sensación de derrota. La culpa no puede ser solamente mia. Es verdad que cresci mucho desde que empezé aquí en esta empresa, pero, sigo cobrando lo mismo y mi marido sigue sin trabajo. Con lo que cobro y lo que tengo que gastar a calle, para trabajar, no llego a finales de mes. Y este es lo unico punto que me deja asi tan mal. Todos los días miro ofertas de trabajo, me apunto a todas que imagino que tenga posibilidades, pero siempre veo mi curriculum ser descartado sin ni posibilidad de entrevista, eso me derrota más y más. Algo tengo que hacer, pues ya no creo más en Dios y ni en el pensamiento positivo. Dejo de creer en las personas, pues no veo oportunidades, ni verdades.

No lo sé que hacer, si llegué hasta aquí, tengo que conseguir salir deste bajon y llevar mi vida a otro sítio. Intento viver el minimalismo, par no gastar lo dinero que no tengo, pero más que nada para limpiar mi mente de tantos pensamientos que me ahogan el este mar revuelto, donde no sé me defender.

Si Dios existe, este es el momento para que Él me estenda su mano y me acolla. Los problemas que tengo, solamente existen por dinero, es por eso que acabo maldiciendo el dinero. Lo sé que no es lo correcto, pero, a misma forma que me ponen culpa por no ganar, intento poner la culpa en otro, y el pobre dinero se torna el culpado.

Voy a cambiar… voy a resistir, voy a sobrevivir, voy a resurgir. Soy fuerte y lo puedo. Empezo ahora, cerrando esta página y caminando hasta otro cliente, con ganas de hacerlo mi cliente del día.

Venga ya, a trabajar y reverter la situación.

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Poço sem fim

Perceber que os valores que sempre quis transmitir para o meu filho, não são os seus valores me faz sentir culpada. Culpada por não ver que ele tem uma personalidade própria e muito distinta da minha. Culpada por esperar que ele responda como desejo. Culpada por dar mais tempo e dedicação a ele do que a mim mesma. É como se o avião tivesse despencado e eu tivesse me preocupado em salvar a vida do meu filho e de seu pai, e deixado a minha para o fim, acreditando que sou a super mulher maravilha, e ao fim, descubro que não. Não sou essa mulher, perdi a eles e a mim mesma.

Um poço sem fim se abriu diante de mim e não tenho visão do fundo, apenas um poço estreito, comprido e muito escuro. Tenho que descobrir uma forma de me agarrar a uma dessas pedras para não cair no fundo do poço, mas também posso descobrir uma forma de aprender, rapidamente, a voar. Assim fico livre de toda esta opressão que corrói meu coração.

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Melhor que acabe, agora.

A imagem que tenho tua é de um homem grande, com a cabeça enorme que podería ser sinônimo de seu grande intelecto, mas não é o que percebo. Um homem com o aspecto que não me atrai em nada, nem como amigo, muito menos como amante. Sim, pelo que sei você é um bom funcionário, toda uma vida dedicada a mesma empresa. Para mim não é um mérito, mais sim comodismo e medo de arriscar a ser algo melhor na vida. Você se satisfez com o salário recebido, a velha casa pequena e desordenada. O velho fusca, que já não anda, ali parado no corredor que leva a casa.

Quando te conheci eu não tinha uma lata de cerveja na mão, mas você insiste em dizer para todos que sim, eu tinha. Entendo que esta é a ideia que você tem, de uma ilusão, queria que a mulher de seu amigo fosse uma alcóolatra como você. Sim, não tenho outro adjetivo para te dar. Sempre o excesso de bebida e comida, as largas gargalhadas causadas pelo alcóol, a voz forte e alta que se escuta da esquina. Não crio ilusões contigo, não pertenço e nem quero pertencer a este mundo.

Confesso que tentei, por um bom tempo busquei formas de me aproximar, mas as pessoaws que giravam ao seu entorno, não me diziam nada. O favelês que escutava em sua casa gritava ao meu ouvido e me deixava com forte enxaqueca, tudo divergia do mundo que vivi e do colégio francês que frequentei. Não sou mais nem melhor, só busco uma vida diferente, quero viajar e conhecer a arquitetura, a cultura, os costumes. Não me contento em conhecer os bares e a comida.

Podemos viver os dois num mesmo mundo, só não podemos estar os dois numa mesma casa por mais de 3 horas. Você não me convence e seu tom debochado me eriça a alma. Melhor que se vá, mesmo que fale que não sou cordial e educada. Que posso esperar de ti? Que compreenda que não sou feita da mesma matéria que você? Que entenda que seu amigo, por algum motivo, que nem eu mesma sei, me escolheu para estar 20 anos a seu lado? Sim, 20 anos, não entendo como chegamos tão longe. Uma criança disse, ele ao lado deste amigo sorri como nunca vi. Então que faz comigo se lhe tiro o sorriso? Melhor que acabe agora, melhor que não complete 21, nem 30. A vida é única e curta demais para viver sem sorrir e ao lado de alguém que não te alegra.

Melhor que acabe, agora.

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Cidades

Hoje é domingo, neste ponto do planeta, são 14 horas de um dia ensolarado de outono. Nesta cidade, algumas pessoas pensam sobre fatos que aconteceram no dia e na semana, outros se divertem sem pensar. De tantos pensamentos, quatro culpavam a uma mulher por situações de um domingo ensolarado de outono, mas nenhum deles foi conversar com a mulher, que por sua vez se sentia incompreendida.

Assim muitos levam a vida. Avançamos em tantos aspectos, porém a cada dia retrocedemos num que, para mim, é o primordial, a comunicação. Tenho ulguns exemplos:

  • em uma sala de reunião cinco comerciais são questionados sobre o mal resultado da semana, percebo que todas as mentes respondem, porém nenhuma pessoa se atreve a por voz a seus pensamentos, estão descontentos com as políticas da empresa, mas nenhum quer se expor e falar o que pensa, todos escolhem calar, deixar ir a oportunidade de se comunicar e entender o que pode ser feito e melhorado.
  • uma família recebe visitas em casa, ao total na casa são quatro homens e uma mulher, por não se comunicarem adequadamente, por pensar e não falar, por não saber dar limites, por não saber dizer não, acontece o inevitável. Uma briga e as visitas se vão magoadas, mas a mágoa persiste na família que ficou, alguma parte se perdeu e a relação perdeu o encanto e o motivo de pertencimento.

Esses exemplos são reais, e o que antes era uma cidade, uma família, uma equipe, agora se multiplica. A mulher, única nos dois exemplos recebeu uma proposta de trabalho em outra cidade e se foi, deixou a equipe comercial calada na mesa de reunião e, também deixou a família com as visitas.

A sala de reunião de tão calada, perdeu seu chefe, que cansado de não ter respostas, largou tudo e foi plantar batatas.

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EU

Busco

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Busco uma pessoa, que me compreenda, que me estimule a crescer e aprender. Busco uma pessoa que converse, que tenha a mente simples com a palavra clara e pontual. Busco uma pessoa sem os floreios da modernidade e com a simplicidade de uma vida vivida. Que tenha o equilibrio como dom do viver, que não seja preconceituosa, nem generalista, uma mente aberta com gosto pelos livros e que não acumule objetos, apenas histórias para contar.

Busco uma pessoa que independente da idade, seja jovem na mente e no desejo de sempre conhecer mais. Um amante do fazer junto, do sentar para um chá com leitura na terraza, aproveitando os últimos raios de sol de uma fria tarde do inverno europeu.

Busco uma pessoa, que não sei se a encontrarei. As que tinha, acabo de deixar. Me encontro só, num escuro quarto, numa noite de sábado, no outono europeu.

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Cartas

Cartas #4

envelope floridoQuerida Rose,

A vida é incrível! Estou te escrevendo para te contar tudo que me passou em muito pouco tempo.

Pela manhã acordei numa ressaca violenta, não de beber, estou com a saúde debilitada e não posso me permitir, neste momento, estar num bar relaxando com um chopp. Então, já sei que vai me perguntar; estas louca, ressaca de quê? De cigarro, café descafeinado e horas lendo e estudando para uma oportunidade, uma possível mudança de Cidade. Dormi muito pouco pensando em tudo isso… resulta que acordei acreditando que minha única tarefa do dia era decidir se me mudava ou não de Cidade e o que tive foi uma avalanche de situações. Não sei se, alguma vez, já  passou o mesmo com você, mas os meus anos não costumam ser muito monótonos, nos últimos dez anos tive tantas mudanças e situações  surpresas, que poderia  jurar que tudo se passou em uma vida, mas comigo não, foram em apenas uma década.

Te conto, depois de acordar assim cansada, recebi uma ligação dizendo que deveria entregar o apartamento, que o proprietário não queria mais alugar, que ia viver aqui e que eu teria um mês para me mudar. Juro, na hora pensei, será que o universo conspira para que eu vá para outra cidade? Enfim, as nove horas estava na empresa, mesmo de férias, para conversar com Miguel, meu chefe, sobre a mudança de Cidade e as atividades da nova função.  Peguei minha lista de perguntas e, como uma repórter, metralhei o chefe. Resulta que ao final não curti muito a proposta, ela não seria rentável para mim, e Miguel assumiu que compreendia a minha visão, mas que ele estava limitado pela diretoria e não poderia me dar uma oferta diferente. Os dois entendemos que sou a melhor pessoa para este desafio, mas se não é bom para as duas partes, não compensa, porque ao longo do tempo vou me desanimar com o desafio. Saí do escritório do Miguel e fui direto a uma imobiliária grande que fica cerca de casa, olhei todos os apartamentos que tinham para alugar, pelas fotos e características que me informavam, nenhum me inspirava muito. Escolhi dois que, por acaso, eles tinham as chaves ali e fui ver. Um era um desastre, pensei na descrição e me lembrei que as palavras podem enganar muito. Rapidamente saí daquele apartamento, tinha uma boa localização e teria uma vista interessante, se fosse de frente e não de fundos, o que o tornava escuro e quente. O apartamento em si era bom, tinha uma boa planta e cômodos bem amplos, mas a falta de luz aliada ao chão escuro, teto rebaixado e com rococós em gesso e o calor infernal que fazia ali, me colocaram pra fora tão logo entrei. Fui para o segundo apartamento, estava numa rua de muito movimento, transito e barulho, porém tinha o metrô ao lado, o que me ajudaria muito no dia a dia, quase não usaria o carro ou a moto e poderia todos os dias ir de metrô para o trabalho, usando este tempo para ler. Originalmente o apartamento tinha três quartos pelo que o porteiro me contou, a proprietária o transformou em dois quartos, para ampliar a sala. A proprietária tinha feito uma reforma há muito pouco tempo, mas acabou que não pode viver ali, recebeu uma proposta para um mestrado no Canadá e para lá se foi, deixando o apartamento para alugar. O apartamento estava exatamente como gosto, amplo, bem iluminado e para não receber o bombardeio diário de tanto ruído exterior, a proprietária tinha colocado umas janelas especiais. A sala e a cozinha estavam conjugadas em um mesmo ambiente, tentei imaginar a proprietária, ele deve ser bem social, a reforma do apartamento prioriza claramente a area social, e a cozinha americana me indica que ela devia receber muitos amigos ou família por aqui. Sinto curioridade em conhecer esta mulher e sua vida, mas aqui não há nenhum registro, nada que me dê mais detalhes, meu instinto jornalista sempre assim, atento. A zona intima não era muito ampla, mas com um quarto que poderia fazer de escritório e a suite que para mim, era mais que suficiente. A verdade é que este apartamento me surpreendeu, e na descrição da imobiliária era um dos menos favorecidos pela descrição, só tive a curiosidade em conhecer por conta das poucas fotos que me mostraram. Voltei para a administradora e preenchí a ficha e fiz a oferta para o segundo apartamento. Logo teria resposta, em no máximo dois dias, foi o que me disseram.

Voltando para casa, vi na fachada de um edifício, na mesma rua que moro, uma placa de alugo e fui falar com o porteiro, ele tinha a chave e o telefone da imobiliária mas não sabia o valor. Fui olhar o apartamento, LINDO, exatamente isso, LINDO. A sala ampla e muito clara, exatamente como gosto, com vista para a Lagoa. O chão de madeira, ou imitação, não sei, mas com uma cor agradável e um toque aos pés muito confortável – sim, sempre tenho que por os pés no chão para ver a sensação do toque, não perdi essa mania. E, lógico, que no primeiro apartamento que vi hoje, nem me atrevi a tirar meus All Star. – Segui pelo corredor e vejo um escritório montado com espaço suficiente para todos os meus livros e revistas, uma mesa para o computador com a mesma vista da sala, para  a Lagoa. Continuei, um banheiro amplo e simples e na sequência a porta da suíte, que enorme! Oh, e que vistas! A janela se abria total para uma parede verde, a natureza invadia meu campo visual, e como este apartamento é alto, ainda vejo o céu, que hoje está espetacularmente azul. O resto da suíte por mais interessante que fosse, não superava essa vista, fiquei ali, parada na sacada, me imaginando sentada numa poltrona lendo e ouvindo uma música. E quem sabe um dia acompanhada, uff, este é assunto para uma próxima carta, hoje tenho que focar nesse dia, em que tudo me aconteceu tão rapidamente, que não consigo nem acreditar que tudo foi em apenas um dia. Enfim, ali de dentro do apartamento liguei para a administradora para saber o preço do aluguel, imaginei que fosse caríssimo, afinal… Lagoa, verde, obra nova e de bom gosto e qualidade e mais, já com alguns poucos móveis. Me atendeu Rubens, se apresentou como o advogado do proprietário e me explicou que o imóvel estava há muito tempo vazio, pois ao ter apenas 2 quartos e um já transformado para escritório eles tinham muita dificuldade de locação, pois as pessoas da região têm família e precisam de outra disposição no imóvel, que por isso, eles tinham baixado o valor do imóvel e estavam pedindo quatro mil Reais. Rose, te confesso que esperava mais, não que quatro mil Reais seja um valor barato, mas para o apartamento que vi e a sensação de paz e acolhimento, sim que era um preço mais que tentador. Lhe agradeci as informações e disse que infelizmente para mim não seria possível, que moro na rua, mas que este valor não se encaixava no meu orçamento. Rubens, mais que advogado se mostrou um homem paciente e bom vendedor, me fez umas tantas perguntas que o levou a conhecer algo da minha situação atual e perguntou se eu poderia passar em seu escritório nesse momento, pois ele estaria viajando no dia seguinte, e ele acreditava que  poderia conseguir algum apartamento para mim, além desse tinha outros. Como era a duas quadras dali, fui.

O escritório de Rubens está na Praça, no edifício espelhado, sim o mais luxuoso. Seu escritório parece ter sido decorado pelo mesmo arquiteto do apartamento, claro e amplo. O que muda são as vistas, como também está em andar alto, tem a vista da Praia. Estávamos conversando e observava aquele homem – quê homem! alto, elegante e cheiroso – emoldurado pela imagem da praia com o céu azul de hoje. – Suspirei e foquei atenção na conversa, ele me fez outras perguntas, se não tinha uma renda complementar para aumentar a possibilidade de ficar com aquele apartamento, quanto pagava de aluguel no meu, porque deixava o apartamento, no que trabalhava, faixa salarial. Depois de 30 minutos e um café servido por Rubens, ele sabia mais coisas a meu respeito que muitos amigos. Foi então que me explicou, depois da minha ligação ele falou com o proprietário e negociou um valor mínimo de aluguel, afinal um imóvel parado gera custos, enquanto que alugado em boas mãos, mesmo que a um preço menor, gera lucro e me fez uma proposta. O que ele não sabe é que a proposta era exatamente igual a que fiz por um outro apartamento hoje, numa região que não me agradava tanto e para um apartamento que gostei, mas que não amei. Tenho que confessar que também me agradava muito mais ter que encontrar ou conversar todos os meses com Rubens sobre questões do imóvel, do que com as outras opções. Tudo para ter a oportunidade de olhar este homem Oh, Dios! Que tonta sou!

Um tanto surpresa da proposta e sem acreditar na tamanha sorte que acabava de ter, aceitei a oferta, preenchi a ficha cadastral e lhe enviei as cópias de documentos que necessitava, sempre tenho uma atualizada no celular para casos de emergência. Rubens me explicou que era parte do processo aprovar a ficha com uma empresa terceirizada, que neste horário não acreditava ter resposta ao mesmo dia, mas que ia tentar, inclusive já tinha enviado os documentos e a ficha, por e-mail. Nos despedimos e fui para casa. Calma, o dia ainda não acabou, embora já fossem 18 horas, ainda tinha coisas por acontecer, que nem eu imaginava. Na correria da reunião e de ver apartamentos, comi uma salada ali no Shopping que tem junto a Praia, lógico que agora a fome me apertava, mas tampouco queria jantar e por isso peguei uma fruta e um chá, sentei para te escrever e pouco depois toca o telefone, era a imobiliária do apartamento que vivo, dizendo que o proprietário tinha mudado de idéia e que ia viver em outro apartamento que tem aqui perto. Expliquei que lamentavelmente eu já tinha para onde ir, e que em um mês entregaria o apartamento, até porque não queria que em algum momento o proprietário voltasse a fazer novamente comigo o que fez desta vez, que eu tinha passado um dia terrível, nervosa e buscando um novo lugar para morar, que tinha olhado muitos apartamentos e por sorte tinha encontrado um, para me abrigar por um tempo, até encontrar algo melhor. Que na urgência que eles me colocaram tive que aceitar uma situação não tão agradável. Ele se lamentou profundamente e me garantiu que o proprietário não faria isso novamente, porém não me convenceu. Relembrei ao Manuel, dono da imobiliária, que nos 6 anos que moro aqui, que o proprietário já pediu aumentos abusivos 2 vezes. E, caso não se recordasse, que logo no inicio do primeiro contrato, que o proprietário estava pensando em pedir o apartamento para morar, pois não se adaptava ao local que estava morando. Ou seja, um sujeito um tanto confuso, que eu já tinha passado meus momentos ali, e que agora ia buscar algo mas tranquilo para mim. Desliguei e voltei a ler. Passado mais um tempo, não sei quanto, toca meu telefone e agora era Rubens, me dizendo que tinha a aprovação da ficha, que poderíamos firmar contrato em 15 dias, pois ele estava de viagem e só voltaria no meio do mês. Concordei com a data e agradeci a rapidez na resposta, que me tirava das costas a preocupação com o apartamento e me deixaria livre para organizar a mudança.

Rose, agora eu acho que posso dizer que meu dia terminou, foi uma loucura. Amanheci acreditando que ia mudar de apartamento e de cidade, no meio do dia, não tinha onde morar e, termino o dia, com a possibilidade de manter tudo igual na minha vida, ou mudar algo e decido mudar de apartamento. Ah, não te contei, o apartamento novo tem uma garagem dupla, o que vai me permitir ter onde colocar o carro e a moto, muito melhor do que estou aqui, que não tenho lugar fixo para a moto e algumas noites fica na rua. Nunca me aconteceu nada, mas pago um seguro bem mais caro por isso. Acredito que possa melhorar o seguro com esta situação.

Sabe, a vida é incrível, despertamos e do nada, tudo pode mudar. Rose, temos que estar abertos para o novo, olhos e mente aberta sempre. Muitos dias são monótonos, mas muitos outros te fazem dar um giro na vida, você pode não perceber ao momento, mas ao longo do tempo vai notar quanto mudou. Tem uma garota que trabalha no jornal, ela é budista, e sempre diz; “nada é permanente, nem o bom, bem o mal, aproveite cada minuto do seu dia e não sofra nos momentos ruins, apenas viva, eles também passam.”

Fica aqui meu beijo, espero que tenha gostado de passar um dia comigo. Nestas férias não vou poder te visitar, mas tenho outros dias programados para daqui há 3 meses e certamente ali vou te ver, já vou inclusive buscar passagem. Tranquila que antes vou te avisar, sei que você não gosta de surpresas e não farei, vamos organizar minha visita e se for incomodar fico num hotel, tranquila.

Um grande beijo e com muitas saudades. Você faz muita falta por aqui.

Anna.

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