EU, Viver na Espanha

Portomarin

Hoje estou trabalhando em Portomarin. Foi uma grande surpresa conhecer esta pequena cidade, um Pueblo, como chamam por aqui. Tem uma arquitetura e um astral que me encantou. A principal renda é o turismo, perdi a conta de quantos albergues e bares que encontrei aqui.

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20181003_151855Parei para comer num dos bares que estava cheio de peregrinos, muitos ingleses, uns poucos chineses e um italiano encantador que me pediu ajuda para falar por telefone. Ele queria reservar uma cama num albergue que está a 10 km daqui de Portomarim e falando Italiano ninguém o compreendia, nem eu. Mas a lingua dos sinais e do olhar amável muda tudo. No final ele se foi feliz, por seu caminho, rumo a cama reservada por 10€, e eu fiquei com o coração agradecido por ter ajudado uma pessoa. Mas como dizia, o restaurante está cheio de peregrinos, a maioria ingleses, pela aparencia tem mais de 60 anos e a maioria são mulheres, lindas, com seus cabelos brancos e loiros, em cortes diversos, mas sempre muito bem arrumados. Mulheres vaidosas com apenas um batom e uma roupa simples, complementada pelas bufandas coloridas.

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Não faço o caminho de Santiago, mas acabo viviendo o meu caminho de Santiago, viajando diariamente por Galícia a trabalho e conhecendo pessoas. Em alguns lugares faço breves amigos, que marcam meu dia com um sorriso e uma palavra amigável. Vejo a natureza e a arquitetura deste novo País que vivo e me pergunto, sempre, porque não vim antes? Não sei responder, não há resposta para o tempo, há coisas que acontecem em nossa vida no tempo exato da vida, e não conseguimos mudar.

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Poço sem fim

Perceber que os valores que sempre quis transmitir para o meu filho, não são os seus valores me faz sentir culpada. Culpada por não ver que ele tem uma personalidade própria e muito distinta da minha. Culpada por esperar que ele responda como desejo. Culpada por dar mais tempo e dedicação a ele do que a mim mesma. É como se o avião tivesse despencado e eu tivesse me preocupado em salvar a vida do meu filho e de seu pai, e deixado a minha para o fim, acreditando que sou a super mulher maravilha, e ao fim, descubro que não. Não sou essa mulher, perdi a eles e a mim mesma.

Um poço sem fim se abriu diante de mim e não tenho visão do fundo, apenas um poço estreito, comprido e muito escuro. Tenho que descobrir uma forma de me agarrar a uma dessas pedras para não cair no fundo do poço, mas também posso descobrir uma forma de aprender, rapidamente, a voar. Assim fico livre de toda esta opressão que corrói meu coração.

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Melhor que acabe, agora.

A imagem que tenho tua é de um homem grande, com a cabeça enorme que podería ser sinônimo de seu grande intelecto, mas não é o que percebo. Um homem com o aspecto que não me atrai em nada, nem como amigo, muito menos como amante. Sim, pelo que sei você é um bom funcionário, toda uma vida dedicada a mesma empresa. Para mim não é um mérito, mais sim comodismo e medo de arriscar a ser algo melhor na vida. Você se satisfez com o salário recebido, a velha casa pequena e desordenada. O velho fusca, que já não anda, ali parado no corredor que leva a casa.

Quando te conheci eu não tinha uma lata de cerveja na mão, mas você insiste em dizer para todos que sim, eu tinha. Entendo que esta é a ideia que você tem, de uma ilusão, queria que a mulher de seu amigo fosse uma alcóolatra como você. Sim, não tenho outro adjetivo para te dar. Sempre o excesso de bebida e comida, as largas gargalhadas causadas pelo alcóol, a voz forte e alta que se escuta da esquina. Não crio ilusões contigo, não pertenço e nem quero pertencer a este mundo.

Confesso que tentei, por um bom tempo busquei formas de me aproximar, mas as pessoaws que giravam ao seu entorno, não me diziam nada. O favelês que escutava em sua casa gritava ao meu ouvido e me deixava com forte enxaqueca, tudo divergia do mundo que vivi e do colégio francês que frequentei. Não sou mais nem melhor, só busco uma vida diferente, quero viajar e conhecer a arquitetura, a cultura, os costumes. Não me contento em conhecer os bares e a comida.

Podemos viver os dois num mesmo mundo, só não podemos estar os dois numa mesma casa por mais de 3 horas. Você não me convence e seu tom debochado me eriça a alma. Melhor que se vá, mesmo que fale que não sou cordial e educada. Que posso esperar de ti? Que compreenda que não sou feita da mesma matéria que você? Que entenda que seu amigo, por algum motivo, que nem eu mesma sei, me escolheu para estar 20 anos a seu lado? Sim, 20 anos, não entendo como chegamos tão longe. Uma criança disse, ele ao lado deste amigo sorri como nunca vi. Então que faz comigo se lhe tiro o sorriso? Melhor que acabe agora, melhor que não complete 21, nem 30. A vida é única e curta demais para viver sem sorrir e ao lado de alguém que não te alegra.

Melhor que acabe, agora.

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Fuja do pensamento mágico

No caos emocional do meu dia, no momento que limpava a casa, buscando indiretamente limpar os pensamentos, pus o celular para falar, queria calar minha mente e ao final vi que o caos piorou. Escutei diversos audios do Leandro Karnal, um grande filósofo e palestrante, e acabei pensando mais sobre o que tenho feito com minha vida. Desde que cheguei aqui na Espanha, percebi que as pessoas por aqui não são creentes em energias e misticismos como eu, resultado, desde que cheguei aqui me sinto sentdo posta a prova em todas as minhas crenças. E, hoje, ouvindo o audio abaixo, me questionei mais ainda.

No último mês, com minha relação mais intensa com o trabalho, com novos formas de atuação e entendendo o modelo de negócio com olhos limpos de pré-julgamentos e aberta ao que estava aprendendo, dando uma oportunidade para o novo, vi que o resultado foi diferente e a tendência é que tudo mude seguindo os passos do que criei com estes novos hábitos de trabalho.

Leandro diz que os resultados são correspondentes ao esforço feito, e não à macumba, a roupa amarela da virada do ano, nem ao karma de cada um. O que colhemos é exatamente relativo ao quê e quanto planto e, a como me relaciono com as interferências do dia-a-dia, se sei usar corretamente meu tempo, as ferramentas tecnológicas, minhas emoções e meu planejamento. Por fim, depois de ouvir o audio e, com tudo o que tenho vivenciado, acredito que estou no caminho de mudanças de crenças, deixando de lado as magias em que acreditava e me baseava para explicar tudo o que me acontecia e me tornando uma pessoa prática. Existe um grande risco nessa mudança de comportamento, posso acabar abrindo caixas que estão fechadas há muitos anos e, assim posso causar uma grande revolução na minha vida e de outras pesssoas, agora o caminho já foi iniciado, não tenho como voltar atrás, posso ir devagar, mas não retroceder. Pode doer, mas ao final tenho certeza que estarei mais perto de minha verdadeira essência e quem sabe mais feliz do que estou hoje.

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EU, Relacionamentos, Sentimentos

Momento intrusa.

 

Me sinto uma completa intrusa em minha própria casa.

Acostumada a viver em uma família reduzida, não sociável, confesso que não sei me relacionar com pessoas dentro do lugar onde vivo. Posso contar nos dedos das mãos, as vezes que recebi visitas em minha casa, as vezes que recebi família. Desde pequena fui apresentada a uma vida doméstica muito simples, reservada e solitária. Hoje, como resultado, não sei estar quando tenho pessoas na minha casa, principalmente se estas vêem para ficar dias e tomam conta dos espaços com uma naturalidade maior que a minha, como se tudo fosse deles. Neste momento cria em mim uma barreira que não consigo transporne-la e, sem a verdadeira ajuda familiar (dos poucos que vivem comigo), a barreira se torna maior e não consigo nem sair da minha cama.

Não sei como funciona com vocês, eu tenho ritmos e rotinas matinais que gosto de seguir-las para que meu dia tenha um bom ritmo, não é uma rotina rígida, mas sim silenciosa, sentada a minha cadeira, tomando meu café com leite gelado. Não, não é um pedido meu, mas é o que meu marido me serve todos os dias e por isso tomo, sem protestar, para mim é mais sagrado o silêncio e a tranquilidade matinal que a forma como está meu café. Neste momento gosto de estar, por 5 minutos que seja, em paz, com meu cachorro ao meu lado, com a camisa e a calça posta, mas por fechar, sentada calmamente assimilando o novo dia que chega. Receber visita de férias, quando sua vida não está em sintonia com férias, quando sua conta bancária não te permite nem um centimo de gasto a maiores, é um grande transtorno. Me sinto mal por não saber reacionar a tudo isso, estou chateada por me isolar e não me sentir nem compreendida, nem amada. Me sinto decepcionada com tudo o que construí.

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EU, Sentimentos, Viver no Exterior

Mariposas en el estomago

mariposas en el estomagoHay un termo en español que me encanta, este más que otros, porque el castellano tiene unas palabras y frases muy simpáticas.

“Mariposa en el estomago”, tener la sensación de que el estomago está lleno de mariposas. És lo mismo que decir que tiene mucha ansiedad, pero ansiedad por cosas buenas, que te emocionen, mismo que tenga miedo, pero te apasiona.

Que ganas tengo de sentir mariposas en mi estomago, atualmente sinto presión y dolor en mi estomago, más por la tensión de los días y de los problemas.

Cuando nos enamoramos sentimos, cuando estamos por concretar un sueño también. Creo que este año pueda sentir mariposas en mi estomago, por lo mínimo 2 veces, cuando mis conquistas y sueños se concretaren.

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