EU, Sentimentos, Uma história

Uma história

mao enfaixadaEstou em casa de molho, em repouso, por um tombo em que fissurei a união de dois dedos, o 4 e 5 dedo da mão direita, com isso não posso trabalhar, dirigir e nem escrever. Agora, para digitar, levo muito mais tempo do que o habitual, pois tenho somente a mão esquerda para teclear. Ao menos isso sei fazer com a esquerda. De resto, tudo se torna muito difícil, desde das coisas mais simples como escovar os dentes e comer, é como se tivesse que aprender novamente. Não foi nada grave e espero logo tirar esta placa metálica e atadura.

Eu sou das pessoas que acredito que de tudo devemos tirar algum proveito, melhor me explico se uso a palavra aprendizado. E destes dias de baixa, de repouso, acredito que os benefícios são muitos, como:

Aceitar – aceitar o que aconteceu e tomar o tempo necessário, indicado pelo médico, para minha recuperação.

Aproveitar – aproveitar para dar amor e carinho a minha família e a mim mesmo, que na correria da vida e do dia-a-dia de trabalho não tenho feito.

Pensar – pensar no que quero, onde e quando perdi algum valor pessoal e o rumo de coisas que não me vão muito ao meu agrado.

Ler – ler é minha paixão, e com a rotina de trabalho tenho deixado de lado o que me ajuda a repor energias. Por isso, vou ler tudo o que possa nesse período, desde livros sobre vendas, a romance, auto ajuda… tudo o que possa me rechear de energia e conhecimento.

Aprender – aprender com o tempo, a aceitar o tempo da vida. Como minha mãe dizia, dar tempo ao tempo e controlar a angustia e a ansiedade.

Enfim, muito o que me envolver para não ficar a cama dormindo e me lastimando com medo do que me pode passar. Sim, confesso que ontem tive medo, estou há pouco tempo no trabalho, 4 meses, e uma baixa como essa não sei o que pode me impactar na empresa, não conheço as leis daqui para saber se corro riscos. A verdade é que, esteja onde esteja, se trabalha na área comercial e não vendes, sempre existe o risco… espero que aqui se valore a situação. E se não valorarem, como dizia minha mãe, outra empresa melhor me chamará e terei uma melhor condição. Sim, minha mãe em sua boa fase sempre foi uma referencia em luta e positividade, mas chegou um momento que seu animo se foi com a dureza da vida, e ela entrou em uma depressão muito forte, que não reconheceu e não tratou, o que a isolou de toda a sua família, inclusive de mim, sua única filha. Sinto saudades da mãe forte, que quando eu era pequenina, com 6 anos, mais ou menos, me punha a dormir e sentava na sala para estudar o telecurso. Lembro que me levantava, pé ante pé, e ia espiar o que ela fazia ali sozinha e a via com livros, lendo e lendo e lendo. Nunca falamos sobre isso, em meu intimo sempre soube que ela fazia por ser uma mulher muito forte, que não teve oportunidade de estudar e queria ser alguém na vida, mais que uma costureira. Acho que ela não conseguiu finalizar este curso, nunca vi um certificado em casa, e na época de colégio chegou um momento que ela me disse:

– Agora não posso mais te ajudar, você já tem mais estudos do que eu, e não tenho capacidade para te ajudar nos deveres, você precisa aprender a fazer sozinha.

Isso aconteceu mais ou menos quando eu tinha 12 anos, uma criança ainda, má já tinha mais estudo e conhecimentos que minha mãe. Porém, lembro que geografia ela sempre gostou de acompanhar comigo, ela tinha muita facilidade pra entender os mapas, acho que era por seu desejo de conhecer lugares, infelizmente ela não conheceu muitos.

Mãe, esteja onde esteja, esteja como esteja, sinto falta de você. Da mãe que foi e não pode ser por muito tempo, sempre me preocupei muito por você. Sei que em suas fantasias mentais, te fazia acreditar e imaginar coisas a meu respeito que não são reais, te perdoo por isso, sei que foram os transtornos mentais que faziam isso e não você, você sempre teve um bom coração, amargurado e sofrido é verdade, mas em seu intimo sempre muito bom e inocente!

Mãe, acho que cada dia mais se faz hora de escrever a carta que sempre tive em mente, ela é longa, dolorosa e libertadora. Não sei se você a lerá, não sei como você está agora, fazem meses que não tenho notícias suas e não sei como falar com você, você se isolou mais ainda, e espero que seu sofrimento ….uff,  não tenho palavras, agora só lágrimas me saem…

 

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EU, Minimalismo, Uma história, VEDA, Viver no Exterior

BEDA#8 – quando voltei para o minimalismo.

Passada toda a turbulência do acidente fatal do meu Pai, segui vida e esqueci meus planos de fazer uma vida com conceitos minimalistas. Comecei comprando coisas para fazer a obra do apartamento, a idéia é que a obra fosse pequenina, mas acabou sendo completa por todo apartamento. Depois, decidi trocar de carro, Depois resolvi comprar umas roupas… e assim foi até que um dia, meu marido chegou em casa com uma decisão tomada. Vamos nos mudar do Brasil, você tem duas escolhas, ou vai, ou vai.

Opa??? Como assim???

cara-de-susto

Sim, ele fez exatamente isso, decidiu mudar do Brasil para a Espanha e não me deixou opção de escolha, nem de negociação. Os motivos dele escolher a mudança são inúmeros, mas um deles, é a situação crítica que já se notava no Brasil e no Rio de Janeiro.

Uma mudança desta magnitude significa ajustes na vida de forma brutal. Primeiro lugar tivemos que falar com o Consulado, fazer uma série de documentos o que me deu um prazo de 6 a 8 meses para termos tudo. Enquanto isso, definimos se íamos alugar ou vender o apartamento. Como uma vez fora do Brasil, não me via voltando, queríamos vender, para facilitar o fechamento da vida por lá. Mas não foi possível, a crise já estava na porta e não conseguimos comprador. Para alugar, já foi o contrário, a primeira pessoa que viu nosso apartamento se apaixonou e decidiu ficar com ele, porém, ela precisava do apartamento no inicio do mês seguinte, ou seja, teríamos 20 dias para liberar o apartamento para ela morar.

Nesse momento a primeira palavra que me veio a cabeça foi: MI-NI-MA-LIS-MO!!! Por que não tinha reduzido minhas coisas ainda? Porque deixei isso parado? Agora seria tão mais fácil e rápido. Poucos dias depois de começar a anunciar tudo para venda, Selma, nossa amiga da agência de viagem me liga para lembrar que temos limites de malas, por pessoa são 2;  sendo 1 grande e 1 pequena de bordo. OU seja, teríamos 6 malas. Mas como não teria graça um Blog  chamado “umavidaem6malas”, e como não me coube tudo em 6 malas, tive que colocar o que sobrava, bem apertadinho em mais uma mala pequena. Assim nasceu umavidaem7malas.com e, assim voltei a ser minimalista. Foi tudo no susto.

Num dos próximos blogs vou contar um pouco do ser minimalista na Espanha, quando se está começando uma vida nova. Se tiverem dúvidas ou quiserem contar alguma experiência pessoal, mão deixem de me enviar comentários.

tag-minimalismo

 

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BEDA#6 – quando abandonei o minimalismo.

amareloComo vimos no BEDA#5, o minimalismo surgiu na minha vida como uma tendência e um desejo de fazer parte de um grupo com o qual eu me identificasse. Na parte referente a empresa, ao meu trabalho, foi muito mais fácil do que se fazia a parte pessoal. Acho que o motivo é bem claro, no trabalho eu já fazia parte de um grupo. Mesmo que estando dia-a-dia sozinha, isso não era um problema, uma vez que eu tinha grandes corporações por trás me dando apoio e respaldo. E o lado pessoal?

Quem me conhece sabe, pareço tranquila, mas a cabeça está sempre a mil. Sou meu maior, melhor e pior treinador. Exijo de mim o limite de cada dia. Nunca estava satisfeita com o que me apresentava e tinha crises de estresse muito fortes, cada vez mais fortes.

Acredito que a busca pelo minimalismo, por algo novo, mínimo e simples.. era meu inconsciente gritando e pedindo ajuda, uma vez que eu não percebia que as crises de nervosismos, ansiedade, dores de cabeça, noites mal dormidas, dores na coluna e tantas outras coisas, estavam me chamando a atenção para algo que não ía bem no meu corpo relacionado ao modelo de vida que levava.

Quando percebi que me faltava um motivo, a consciência de porque queria o minimalismo em minha vida, foi mais fácil responder a cada pergunta que me fazia. Algumas demoravam mais, como por exemplo o que mais quero na minha vida? Não me valia a resposta: “meu marido e meu filho”, porque sei que só isso não me faria feliz e completa. Gosto muito das minhas conquistas pessoais, elas são muito importantes para mim, e o minimalismo estava já nesse nível, conseguir compreender e viver o minimalismo era um objetivo a ser conquistado.

Passaram-se meses de trabalho intimo, onde me questionava sobre o querer e o valor. Me questionava o que de verdade era necessário. Sempre tentava ver quando estava me sabotando e mentindo para mim mesma. Tem quem comece o processo e consiga desapegar com facilidade, eu não considero que foi difícil o desapego pra mim. Desapegar foi fácil, o mais complexo foi manter a mente no necessário e não me permitir ir de compras para simplesmente encobrir uma tristeza, ou comprar porque o outro tem algo parecido, por imagem ou status.

Foi nesse momento que percebi que o minimalismo não pode ser só vivido externamente com seus bens, mas sim sentido e compreendido.

  • Sentindo-se livre e liberta para levar sua vida para onde queira, sem grandes troços materiais que te bloqueiem o fluxo de energia da vida.
  • Vivendo um dia de cada vez, de forma simples e ordenada. Não colocando na caixa de entrada mais do que você, com suas limitações seja capaz de suportar.
  • Aprendi a dizer não e, mais gratificante a saber receber o não.
  • Confesso que ainda tenho muito que aprender, mas algo aprendi… Melhor dizer, estou aprendendo a esperar. Nem tudo vem no meu tempo, eu não controlo o tempo desta forma, como para dizer o que tem que ser e quando eu quero.
  • Aprendi a falar menos, falar o necessário. Aprendi a ouvir mais e melhor, que chamamos de escuta ativa.

No meio tempo de tantos aprendizados, meu pai morreu num trágico acidente de carro. Foi um momento duro, onde tive que rever toda uma história de vida muito complicada, foi quando validei informações que tinha a seu respeito e descobri que na realidade não conhecia ao meu pai. Foram 7 dias em que meu pai esteve na UTI, entre a vida e a morte e 1 mês e meio, tempo que tive para esvaziar seu apartamento e liberar para locação. Durante esse tempo, recebia ao menos 2 vezes por semana, a ligação da minha Diretora dizendo que não podia mais me esperar, tinha que trabalhar e vender. Na verdade não deixei de trabalhar e vender, mas a cabeça estava fora de foco e não alcançava os meus objetivos com tanta facilidade. Nesse período perdi totalmente o foco e, sem grande esforço, abandonei o minimalismo.

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Sentimentos, Uma história

Meu filho, um desabafo.

Vou explicar uma coisa e espero que fique bem claro!

É sobre meu filho, e se resume em dois pontos:

1º. não adotei um filho para virar modelo de comportamento, muito menos para criar atrito ou desafiar minha família ou a do Enrique.

2º. não mantenho meu filho tão ativo no futebol porque quero que ele seja a salvação da minha vida e ganhe milhões como jogador de futebol.

Uma vez que os pontos foram ditos, vou explicar um pouco sobre cada um e espero que as coisas fiquem claras!

Quem me conhece bem, sabe que tenho princípios e valores muito próprios e não quero perder meu tempo com fofocas e críticas à vida alheia. Antes de tudo acredito que devo cuidar da minha casa e família, observando tudo o que posso aprender e melhorar individualmente e no conjunto familiar, portanto este textão é um desabafo relativo a uma série de coisas que já ouvimos e sentimos, e que tantas vezes não respondemos a altura devida.

Quando decidimos que era hora de ter um filho, já estávamos há algum tempo vivendo juntos, aqui já seguíamos nossos conceitos de vida e estávamos juntos, sem nenhuma formalização social, como o casamento, pois não acreditávamos na sua necessidade para nos manter unidos e felizes, seguíamos o rio do nosso coração que já mostrava ir contra a correnteza do rio que navegava a família. Passamos alguns anos, esperando o filho e sem a surpresa da barriguinha, decidimos consultar um médico, pois como tenho um problema hormonal de nascimento, imaginei que por isso eu não engravidava e, se fosse necessário, eu faria um tratamento, desde que não fosse nada muito complexo e caro. Foi neste momento que descobrimos que nascemos um para o outro, somos os opostos perfeitos, enquanto eu produzia alguns hormônios a mais, Enrique produzia os mesmos a menos, desta forma só poderíamos ter um filho por inseminação artificial, e como o nome diz; é artificial e não topamos. Eu particularmente não gosto de nada que não seja 100% verdadeiro.

Nesse momento sentamos e conversamos, coisa que é rara para o Enrique sempre muito calado, mas a sugestão da adoção partiu dele e eu aprovei de imediato. Na semana seguinte a esta conversa entramos com o processo para capacitação e liberação para sermos pais adotivos. O processo inicial foi tranquilo, demoramos cerca de um ano para receber o certificado que nos deu permissão para visitar os abrigos e buscar nosso filho, enquanto nosso nome seguia na lista de pais em espera de seu filho.

Aqui faço uma parada para explicar o que entendo e percebo do processo de adoção no Brasil. Muitos questionam a demora e a desorganização, nós não temos do que reclamar, pois temos crenças muito próprias para a vida, que vou explicar mais a frente. O fato que vejo nas adoções são pessoas que buscam filhos modelos e perfeitos, com características físicas ou de personalidade que não condizem com a realidade da adoção e do Brasil. Alguns exemplos: muitos definem características físicas para a criança a ser adotada, isso é um dos pontos que dificulta o processo. Segundo informações divulgadas frequentemente na mídia, há um número considerável de pais pedindo: menina, com até 2 anos, de pele e olhos claros. Quando olhamos para a realidade da sociedade brasileira e das crianças que seguem para a adoção, vermos, de imediato, que são pequenas as chances de existir uma criança assim. E, há ainda, casos de adoção em que as famílias aceitam crianças com mais idade, porém acabam por devolver, com a justificativa de que o comportamento e a personalidade da criança é inadequado para aquele meio famíliar. Eu sou da opinião de que a maternidade/paternidade deve envolver um olhar tridimensional sobre tudo o que representa aquele ser “filho” que passa a ser de sua responsabilidade. Uma criança não é um objeto, mas sim um ser em formação e este processo árduo é de total responsabilidade dos pais; se falhamos e temos problemas com o filho gestado, é lógico que o mesmo vai se passar com o filho do coração. Neste caso temos que considerar toda a vida da criança, desde a gestação até o momento que chega a nossa vida, nossa casa. Provavelmente essa criança passou por desilusões, abandono e muito mais coisas podem ter acontecido e na grande maioria dos casos elas passam por todas estas situações sem ter um apoio de um adulto capaz para ajudar emocionalmente e psicologicamente. Quando recebi meu filho, com 5 anos de vida, eu tinha muito claro que tudo aquilo seria novo para mim, mas muito mais novo e desafiador para ele. E neste momento, eu e o Enrique, tínhamos que ser as pessoas referências para que ele se abrisse ao novo, com paciência, amor e dedicação. Nós tínhamos que reconstruir a vida da criança, não podíamos querer que ele fosse como um boneco, que moldávamos seus modos, comportamentos, falas e tal. Tínhamos claro em nossos corações que íamos aprender muito com nosso filho e nenhuma verdade era tão verdadeira que não pudesse ser descartada e repensada. Juntos os três (3) decidíamos a cada momento como resolver as coisas, lógico que em muitos momentos tivemos que agir com a autoridade nata dos pais, mas em muitos outros cedemos, descemos ao nível da dor daquele coração, ou da infantilidade e imaturidade daquele pequenino homem para aprendermos com a sua personalidade. Sim, as crianças podem nos ensinar muito e, digo de coração aberto, meu filho me fez uma nova mulher, quebrei muitos paradigmas, refleti sobre conceitos, me reinventei e gosto muito mais da mulher que sou hoje. Tiveram momentos que ele nos colocava em encruzilhadas e não sabíamos como agir, buscamos ajuda de amigos e de profissionais, mas o mais importante, nunca rotulamos. Qualquer atitude inadequada que ele tivesse não significava um rótulo, mas sim uma oportunidade para juntos em família formarmos melhor aquele menino. O que vejo acontecer em muitas famílias e relações é a criação de rótulos, porque uma pessoa falou ou agiu de uma determinada forma ela ganha um rótulo e vira aquilo por toda a sua eternidade. Eu não gosto de rótulos, e não sou os rótulos, sou muito mais do que uma atitude, uma ação, um dia. Sou uma vida, uma história, uma junção de pensamentos, aprendizagens e sentimentos. Assim penso e assim levo as minhas relações em casa, no trabalho e na vida.

Muitos reclamam do processo de adoção e dizem que a justiça demora para que as crianças sejam postas ou liberadas para adoção. Em nosso caso, a justiça deu todas as oportunidades para que a mãe biológica pudesse se ressocializar e ter a oportunidade de seguir com ele em uma vida com mais segurança. Com outras crianças que estavam abrigadas na mesma época do nosso pequeno, vimos a justiça tentando alternativas para que a criança seguisse junto a sua família biológica, eles entendem que manter este laço é o ideal para a criança. A mãe de nosso pequeno, tentou por um ano se reabilitar, ter um lar fixo, um emprego, tudo com o apoio de instituições indicadas, mas no final vencida, sem forças para seguir ela liberou ele para adoção. Aqui está a diferença, ela teve um gesto de amor nobre, reconheceu sua limitação e liberou seu filho amado (todos no abrigo nos contavam como ela era carinhosa e amava ele) para que não vivesse daquela forma e fosse entregue para outra família. Não nos conhecemos, quando surgimos na vida de nosso filho ele estava totalmente liberado para adoção. Infelizmente os casos não são parecidos e muitas crianças ficam nos abrigos esperando que um familiar a acolha em definitivo, são diversas situações que prendem as crianças e a justiça fica presa, limitada em recursos, sem poder destituir as famílias. Acredito que em muitos casos se perceba, a olhos claros, que a família não terá condições de dar o básico para a criança, e deveria haver alguma forma da justiça acelerar estes processos de destituição. Mas ao invés de criticar, prefiro ajudar contar minha história de sucesso e amor, e ser esperança para outras famílias. Se não posso ajudar, não vou atrapalhar.

Muito bem, uma vez que estávamos de posse do certificado, começamos a buscar nosso filho, visitando abrigos no Rio de Janeiro. Era como se estivesse grávida, o coração batia forte a cada sábado ou domingo que visitávamos um abrigo. O coração sofria com o futuro que parecia reservado a tantas crianças abrigadas, como disse antes, nem todas estão liberadas para adoção. Um dia chegamos a um orfanato no Jardim Botânico, na rua Faro. Ali, umas poucas freiras cuidavam de outras poucas crianças, não tinham mais de sete crianças. Neste lugar cheio de preciosas árvores, que parecia esquecido pelo mundo, numa região nobre do Rio de Janeiro, eu me encantei por um menino e Enrique se apaixonou por uma menina, com um pouco de conversa descobrimos que eram irmãos e que tinha mais uma menina, aquele pequeno núcleo famíliar era composto por uma pequenita espoleta de 2 anos e meio, um menino encantador de 7 anos e uma princesa desconfiada de 12 anos. Era muito, não podíamos receber as três crianças de uma única vez em nossas vidas, não teríamos como pagar colégio, saúde para todos, nosso apartamento era um pequeno sala e quarto em Botafogo e eu trabalhava cerca de 10 horas ao dia. Impossível!!! Nesse dia decidimos que não poderíamos seguir buscando nosso filho daquela forma, porque nos apaixonaríamos por todas as crianças e daríamos esperanças para cada uma. Não podíamos ser portadores de mais dor para aquelas criaturinhas e, tampouco, podíamos escolher um filho. Um filho não é uma roupa que vou à loja, provo e escolho a que melhor se adapta comigo. Não posso escolher o da barriga, sendo assim, o do coração muito menos seria escolhido. Naquela noite, chegamos em casa e da minha cama, olhando o céu eu pensei:

Vamos ficar na fila, esperando a nossa vez, o filho que está determinado para ser nosso vai aparecer. Assim será! – E assim foi, ficamos 2 anos na fila de espera, até que um dia resolvemos ligar par ao juizado de menores para me informar se precisava revalidar o certificado pelo tempo que já estávamos cadastrados, a pessoa que me atendeu perguntou do nosso perfil e quanto tempo estávamos na espera. Se espantaram que com um perfil tão abrangente ainda estivéssemos esperando. No dia seguinte à minha ligação ela me chama e diz que tem uma criança no Romão Duarte, disponível para a nossa visita. Fomos até ali e, era ele, o menino que de alguma forma eu conhecia de outras vidas, de meus sonhos. Era aquele rosto que eu esperava, aquele sorriso, tudo nele era perfeito e se encaixava com o que sempre quis sem saber que queria. Era ele!!!! Nos pediram para ler sobre sua história, uma criança com 5 anos e uma vida já cheia de sofrimentos, mas que sorria com o sorriso mais lindo do mundo, como se a dor e o passado não fizessem parte daquele corpo. Nos questionaram se mesmo depois de ler ainda queríamos ser seus pais e “claro, claro que sim” é o que dizíamos. Nada nos tiraria da ideia fixa de que aquele menino era o que esperamos por 2 anos mais o tempo da certificação.

Sim, de verdade acredito nisso. Acho que em algum momento lá no céu, numa grande mesa redonda e branca, sentamos todos; Enrique, Luiz Felipe, eu, os pais biológicos, ainda estávamos acompanhados da alguns bons amigos espirituais que auxiliaram naquele momento e, juntos definimos que eu e Enrique não poderíamos ser os pais biológicos do Luiz Felipe, mas que ele era o nosso filho, determinado em outras vidas e que de alguma forma aqui o encontraríamos. Os pais biológicos do Luiz Felipe, seriam apenas pessoas instrumentos para que ele chegasse até nós, mas nos perdemos uns dos outros e ele demorou um pouco mais. Mas o Universo e Deus, trabalharam lá de cima e enfim nos encontramos. Sempre contei esta história para meu filho e, de verdade é a história que acredito.

Muito bem, acho que já podem entender que adotamos por nossas crenças e pela desejo de ter um filho, não para atacar a família com uma criança que não tem nosso sangue nem nossa raça. Aliás, vamos combinar este papo de raça – pra mim – é a coisa mais ultrapassada do planeta! Somos todos iguais, como digo: temos dois braços, duas pernas, dois olhos, um nariz, um rosto e uma boca. Pequenas diferenças em cada um, que é o que nos faz únicos no mundo, mas só isso, no final somos todos iguais e depois quando morrermos voltamos ao pó.

Você deve estar se perguntando porque escrevo isso, mas sim, de verdade, tiveram pessoas que disseram que adotamos um menino negro para afrontar. Minha resposta só é uma, as costas. Não dependemos de nada, nem de ninguém para nos ajudar no dia-a-dia com nossa casa e filho, não dependemos de ajuda da família. Erramos em muitas coisas, eu principalmente, sou a que mais erros cometi na vida, pago por meus erros e também aprendo com eles. Mas também tive muitos acertos e assim levamos a vida, caindo e levantando, mas uma coisa tenho clara, a construção da minha família é na base do amor, não em imposição e ameaças.

Agora sobre o segundo ponto, eu falei que ia ser textão. Algumas pessoas já me disseram por palavras retas e tortas que estamos investindo no nosso filho e nos mudamos para a Espanha para que ele fosse um jogador de futebol famoso. É, eu gosto de ver o futuro, estudo o tarô e a numerologia, mas não tenho nenhuma certeza e muito menos garantia, se tudo o que descubro nesses estudos realmente vão se concretizar, afinal existe o livre-arbítrio.

Se perguntado, o Luiz Felipe, como outras tantas crianças vão dizer que quando crescer serão jogadores de futebol, cantores, atores e muitas outras profissões de glamour, mas quem nos garante que chegarão lá? O que de verdade não faço é limitar os sonhos do meu filho, se ele quer, que lute por seus sonhos. Mas deixo claro, tem que estudar e ter plano A, B, C, D, E, F e tantos outros necessários para que a vida não fique parada e perdida no meio de um sonho de criança. Vou além e digo, que ele seja o que ama, que ele trabalhe com o que lhe encanta, que nunca perca o sorriso no rosto, aquele sorriso que me conquistou. Não tenho como saber, nem com minhas cartas do tarô se ele será um jogador de sucesso, famoso e milionário. Nas cartas tenho os sinais que me bastam, que ele será feliz e realizado. Ser feliz e realizado para ele pode ser diferente do que seria para mim e para outras tantas pessoas. Por isso lhe ensino a lutar por seus sonhos, mas sempre ter alternativas para caso este sonho e plano falhem em algum momento e também para o caso dele mudar de sonho. Não temos como saber se ele terá a altura ideal para um goleiro, não temos como prever se ele continuará sendo bom como é hoje e que não vai aparecer nenhum outro que seja muito melhor que ele. Neste meio, as oportunidades são pequenas e não sei se estaremos no lugar certo e na hora certa, como também não sei se isso está escrito no destino dele.

O esporte na vida dele tem função terapêutica, gasta energia que sobra em seu corpo para que depois em casa ele possa ficar mais calmo e centrado para as tarefas de casa e do colégio. Ele escolheu o futebol, eu lhe dei todas as alternativas e possibilidades, mas ele decidiu e se dedicou a cada treino, cada conquista, por isso o mantemos e o incentivamos no futebol. O esporte socializa, educa, fortalece o corpo e a mente, prefiro que faça esporte que tome remédios para controlar a ansiedade, a falta de foco e o colesterol. Ele é uma criança, e se diverte e faz amigos com o esporte, então que siga fazendo disso um impulso para ser uma pessoa melhor. Eu digo que sua meta é estudar e ser feliz, fazer o bem e ter valores que o destaquem no meio da multidão. Ser mais um, igual a todos, não! Não há mais espaço no mundo para quem faz igual ou pouco.

Nos mudamos para a Espanha, porque não gostávamos do Brasil que nosso País estava se tornando, não estávamos vendo a luz no final do túnel e nos preocupamos com o nosso futuro. Nos mudamos para a Espanha porque era o País possível, Enrique e Luiz Felipe têm nacionalidade espanhola. Se aqui vim por causa do meu filho? Sim, de certo modo sim, pois o futuro dele no Brasil estava comprometido. Aqui ele tem mais oportunidades de vida, mais qualidade de estudo e de vida. Aqui temos mais segurança e tempo para viver em família.

Nosso maior ganho aqui, foi exatamente isso, a possibilidade de vivermos mais em família. O tempo aqui corre de forma diferente, temos mais tempo para fazer tudo o que precisamos, comemos sempre em casa e juntos, os três a mesa. Temos tempo para conversar e acompanhar o crescimento e formação do nosso filho. No Brasil não percebíamos, mas a educação do nosso filho não seria a mesma, não teríamos o controle e a participação que aqui conseguimos. Os hábitos de vida e a possibilidade de viver num condomínio grande, repleto de segurança e laser que nos permitia deixar o filho no play com outras crianças, a principio parecia bom, mas agora percebemos que cobraria um preço com o passar do tempo e seria na união familiar e na formação do nosso filho. Um preço que hoje avalio e acredito que seria caro e indesejado. Aqui, pelo estilo de vida diferente, horário de estudo, frio e chuva, a vida se passa muito em família, e assim, tenho todas as chances de estar junto do meu filho, conhecendo seus pensamentos, atitudes e formando seus valores.

Como disse antes, esse texto é um desabafo, por todas as besteiras que já ouvimos, mas além disso é um recado para nosso pequeno grande menino. Quero dizer que estou feliz pelo menino que você se torna a cada dia. Responsável dentro da sua preguiça. Feliz dentro do seu humor rabugento. São fases, eu também fui assim, e um dia acordei e joguei fora o mau humor e a preguiça. O que você não deve jogar fora – nunca – é o seu encantamento, seu sorriso, seu amor pela vida, isso é a tua luz. Te amo, te amo, te amo!

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Coach e Meta, Sentimentos, Trabalho, Uma história

Um dia melhor que o outro.

flor a pedra

A vida é curta demais para viver presa ao passado, a pensamentos negativos, a tristeza e em tarefas que não te encantam.

É verdade que algumas tarefas, que não me encantam, precisam ser feitas. Como passar roupa ou cuidar de casa no meu dia de folga do trabalho, ou ainda, sentar com o filho e estudar quando o que mais quero é uma cama ou um passeio em família. Quando falamos que a vida é curta demais para se envolver com o que não te valoriza, pensamos direto em largar estas tarefas, mas não podemos ser frívolos em abandonar o que faz o nosso dia-a-dia e família melhor. Cuidar da casa, para mim é fundamental. Gosto de uma casa limpa, organizada e cheirosa. Ver meu filho entendendo o que está estudando e envolvido comigo é mais que fundamental, é essencial.

Então, o que posso largar para viver melhor?

A começar, posso eleger que vou controlar meus pensamentos para que sejam o mais positivos e esperançosos possíveis. Posso selecionar o que leio e os programas de televisão que vejo. Posso evitar pessoas que não me façam bem, que suguem minha energia, que tenham inveja, que não me valorizem. Posso entender que algo no momento não vai bem, mas tudo na vida é passageiro, inclusive este momento. O chefe que não me tratou bem, o dinheiro do mês que acabou antes da hora, ou o salário baixo, tudo isso é passageiro se me envolvo para fazer do meu amanhã um dia melhor. Sim, meu chefe é passageiro, hoje não pensamos mais em ficar a vida toda em uma empresa e nos aposentar, ficar na mesma atividade com o mesmo salário, pior ainda. Mas para conseguir que meu dia de amanhã seja melhor que o meu dia de hoje, preciso de verdade me dedicar a fazer o que me aparece bem, ser honesta, ser ética, ter valores de qualidade são fundamentais para que a sua vida caminhe conforme os seus sonhos.

Ah, falando em sonhos, não acredito em milagres sem trabalho. Então sonhos mirabolantes não entram na minha crença de conquista. Ter uma Ferrari na garagem, uma casa de 6 quartos, viajar o mundo todo e não trabalhar não é um sonho real, não nasci e nem casei com milionário. Porém, sonhar em ter uma casa com jardim para que o meu pequeno Rufus possa correr e se divertir, sim é possível. Sonhar em ter um carro melhor, sim também é possível. Mas isso tudo é consumo, e quero muito mais da vida do que apenas consumo. Quero ser a melhor mãe que meu filho pode ter, para isso tenho que dia-a-dia, me dedicar, trabalhar, cuidar e aprender. Sim este sonho é real e me torna melhor. Quero ser uma melhor profissional, uau, mais que possível, hoje com a experiência que tenho sei que sou uma pessoa dedicada, responsável e comprometida, posso conseguir. Ser melhor esposa, melhor amiga, sim todos sonhos viáveis. E viajar, conhecer lugares, aprender idiomas… sim para isso preciso de dinheiro e muitos podem dizer, consumismo. Para mim não, viajar e aprender idiomas, hoje é me fazer uma pessoa maior. E, é em busca disso que estou! A casa ficará para um dia, o apartamento feinho que mora me protege do frio, do calor, da chuva e me propicia bons momentos com minha família. O carro velhinho, que nem é tão velhinho assim, está com o motor perfeito e nos leva a lugares que nunca conheci, é o começo das minhas longas viagens pela Europa.

Portanto, vivo a vida, uns dias tristes porque o trabalho ainda não me satisfaz, mas logo o que busco chegará. Posso dizer que hoje este trabalho que quero está mais perto de mim, que estava ontem, e amanhã estará mais perto. Não acredito em milagres, mas acredito em destino e este trabalho está no meu destino, e cada dia estou mais perto de conseguir.

Para amanhã segunda, eu desejo que todos nós possamos acordar, abrir a janela, olhar para o céu e, independente de como esteja o dia, dizer: “Obrigada por mais uma noite, obrigada por mais um dia! Hoje eu farei melhor que ontem e amanhã, melhor que hoje.” E, com um sorriso no rosto e a certeza de um dia melhor, fazer todas as tarefas que dependem de mim.

 

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Trabalho, Uma história

Um novo trabalho

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Hoje dia 15 de maio começo em meu segundo trabalho na Espanha. Depois de muitos anos de vida profissional razoavelmente estabilizada, no Brasil, sigo em inicio de vida num País novo e com atividades que nunca buscaria em meu País

Meu primeiro trabalho foi de agente de seguros, como autônoma, com metas e tendo que ligar para diversos telefones comerciais e residenciais, além de bater em portas, tudo para  oferecer meus serviços de seguro. Este, de fato, poderia ser meu trabalho se eu tivesse mais tempo de Espanha e muitos contatos, como não é o meu caso neste momento e, fui chamada para uma outra empresa… decidi mudar.

Não posso dizer que este é o meu segundo emprego, porque entendo que em emprego não se trabalha tanto como tenho que fazer nestas duas empresas. Tenho um horário de trabalho que não é extenso, são as 8 horas diárias que regem o dia de trabalho aqui como no Brasil, com um diferencial, na Espanha há a “siesta” e por isso os horários de vida aqui são bem diferentes. As empresas funcionam com base no horário dos colégios que começam às 9horas e seguem com aula até às 14horas, que é quando todas as empresas param para seguir com o momento de almoço e “siesta”. Neste horário as ruas estão vazias, só vemos as pessoas que se deslocam do trabalho para casa e logo as 17horas a Cidade começa a ter movimento de pessoas que voltam ao trabalho e outras que vão fazer coisas no comercio que pouco a pouco abre. Sim, meu horario de trabalho será picado, vou trabalhar de 10:30h até 14horas e depois de 17 horas até 21:30horas,   não é um horário fácil, e o trabalho é mais cansativo do que difícil. Tenho que bater em pelo menos 200 portas ao dia, oferecendo uma oferta de Vodafone, uma das empresas de telefonia e internet aqui da Espanha. Para evitar que as pessoas enrolem no trabalho temos um controle bem grande de atividades, a coordenadora de equipe faz uma gestão da equipe por whatsapp, solicitando a direção da pessoa (ubicação, não sei como dizer isso em português) e o tablet controla todas as portas que visitei e o que se passou em cada uma. O controle é rigoroso, para evitar que isso me aborreça, tenho pensado que é uma forma nova de trabalhar e que tenho que aprender a fazer diferente.

Cada vez estou mais certa que para me adaptar bem tenho que ter um pensamento e uma vida minimalista. Há momentos para projetar o futuro e há momentos para simplificar e aceitar, não posso querer ter de Santiago, uma cidade com 95mil habitantes, o que tinha no Rio de Janeiro com seus 6.498.837 habitantes. Aqui não terei a violencia, a agitação, a correria, o transito infernal e nem o stress, tampouco terei o horário continuo de funcionamento das empresas,  e as boas oportunidades de trabalho (agora, com a crise, nem o Rio de Janeiro tem mais as boas oportunidades). Enfim, viver uma vida com mais segurança e qualidade de vida significa ganhar em uns pontos e perder em outros.

Pouco a pouco, vou me adaptando e construindo o que já tive estruturado.

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Uma história

Pessoal?

Pensando em coisas que acontecem… amigos que eu creia que eram amigos e com a minha mudança sumiram. Problemas no trabalho e falta de respostas do pessoal que trabalha comigo. Pessoas que trabalhavam comigo e me fizeram promessas, eu acreditei e descobri que tudo virou pó.

Pensando em tudo isso tenho algumas opções, entre elas ficar muito chateada e acreditar que é algo pessoal, que sofro mais que os outros, que sou vítima, mas escolho pensar:

Tudo é passageiro. O que foi, foi, já virou passado. Quem fez a mim, em verdade, fez a si. Quem não me acompanhou é quem saiu no prejuízo. Quem não me valoriza é quem perde. Sim, agora eu sei que tenho valor e que nada disso deve ser interiorizado. Sim, precisei atravessar o oceano para aprender que meu melhor amigo, sou eu mesmo. Só eu, minha melhor amiga, posso fazer coisas com o intuito de me auto beneficiar.

Simples assim, com isso, enterro o passado e os pensamentos que não devem fazer parte da minha vida. Namastê!

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