EU, Viver no Exterior

BEDA #17 + Reto de los 100 días #17

De porta em porta

Já te contei do meu trabalho aqui na Espanha?

Toda pessoa que vai mudar de País tem que estar preparada para tudo o que possa aparecer em sua vida. Se, um dos objetivos da mudança é começar uma vida nova e buscar trabalho no novo País, é importante que venha legalizado. Eu recomendo!!! Acreditamos que chegando em outro País a vida rapidamente se organizará e, muitas vezes acreditamos que vamos encontrar as oportunidades dos sonhos fora da nossa casa Brasil. Acreditamos nas histórias dos filmes, só pode ser. Em partes, eu também acreditei, pois vim pra Espanha com documentos, marido e filho espanhóis, e lugar próprio para morar. Pensava que chegaria aqui e qualquer empresa me contrataria, pois tenho experiência no Brasil com grandes empresas, grandes contas e que seria uma vendedora que em 1 mês já estaria trabalhando na melhor gráfica local e ganhando bem. Inocente!!!! A realidade foi outra. Demorei para conseguir um trabalho e o primeiro não foi nada bonito, a situação de trabalho era tão ruim que não coloco esta experiência no meu currículo e não suportei mais do que 15 dias ali.

Percebi melhor a situação, quando perdi uma oportunidade de trabalho que colocava como requisitos mínimos coisas que para mim eram mais que garantidas; comercial bilingue  português/espanhol além de ter conhecimentos técnicos de processos de impressão. Vamos combinar? O Universo conspirava a meu favor, este anuncio tinha sido criado pra mim, eu era a pessoa que eles buscavam e, esta era a vaga que eu buscava. Estava super radiante, passei pela primeira entrevista, com uma pessoa de Madrid, não tive nenhuma dificuldade para falar o espanhol, nem para compreender o que a pessoa falava. Fiquei super confiante acreditando que naquele meu segundo mês de Espanha eu já seria contratada por uma multinacional e seria a pessoa de vendas de todo o norte da Espanha. Nada me assustava, estava confiante. O tombo foi duro, não acreditaram que eu seria capaz, por ser mulher, mãe e estrangeira, deram a vaga para um homem espanhol, que tinha bem menos conhecimento técnico que eu. Não digo que isso passe em 1100% dos casos, mas sim garanto que em muitos casos, preferem primeiro dar a vaga para uma pessoa local, de nascimento e vida. Hoje depois de 2 anos de Espanha, tenho isso claro, pois escutei de diversas pessoas. Já ouvi muitas histórias e conheci muitos estrangeiros por aqui, a maioria conta o mesmo.

Fato é, meu currículum aqui não era valorado e, algumas vezes não foi considerado, pois minha experiência não é local, não é possível pedir referencias ao meu antigo empregador ou a seguridade social (que seria o nosso INSS). Aqui, como não temos uma carteira de trabalho, para comprovar que trabalhamos nas empresas que informamos no currículum, pedimos para a seguridade social um relatório que indica todos os pagamentos da contribuição social e porque empresa foi feito. Como eu não tinha, não conseguia comprovar.

Para começar a me movimentar por aqui e ganhar algum dinheiro, fui trabalhar como extra num hotel 5 estrelas. Ali me consideravam velha, pois só contratavam fixo as mulheres com menos de 30 anos, as outras eram chamadas para momentos específicos de alta, na época do verão. Ali fiquei 4 meses. Sai porque ganhava muito pouco e sobria muito de dores no corpo. O trabalho de camareira, embora parece ser simples, não é. A exigência é alta por qualidade e velocidade. Eu não conseguia. A falta de experiência e a minha coluna toda destruída não me permitiam fazer com agilidade, só cumpria o requisito da qualidade, mas o outro era fundamental. Sabia que ao final do verão não ficaria e sai, fui trabalhar no bar que montamos por indicação. Este foi o pior período de minha vida aqui na Espanha. Trabalhávamos todos os dias de 07:30h até no mínimo 22 horas. Não descansávamos, não passeávamos e ganhávamos muito pouco dinheiro. Não compensava a quantidade de trabalho e estresse para tão pouco dinheiro. Fechamos o bar e comecei a trabalhar na empresa que já estou há 8 meses.

Esta empresa tinha me chamado para uma entrevista na semana que assinamos o contrato do bar, por isso recusei a oferta naquele momento. Agora, depois de fechar o bar, ela me chamava novamente e queria que começasse de imediato. Ali fui. Hoje vendo sistemas de alarme para o pequeno comércio, casas e apartamentos, a maiores de um\ tele assistência. O modelo de venda é feito exatamente como na foto acima. Chamando casa a casa, negócio a negócio, apartamento por apartamento. Para se dar bem nesse tipo de venda as exigências são muito elevadas:

  • resistência a pressão;
  • resistência aos nãos e frustrações;
  • a pessoa não pode ter vergonha e nem se dar desculpas por não fazer as tantas mil portas ao dia, afinal são estas tantas portas é que farão com que um número muito pequeno de pessoas ter escutem por completo e, um número ainda menor, de pessoas que te deixem falar de preço.

Nesse trabalho não há tempo ruim, seu animo, sua determinação, sua capacidade de argumentação e a resistência sempre devem estar no mais alto nível. Você tem que ser capaz de se auto motivar a cada segundo. O que não é fácil, confesso que alguns dias me venho a baixo, principalmente quando lembro o trabalho confortável que fazia. Mesmo com as largas noites que passei em gráfica, minha vida anterior sempre foi muito mais fácil que a de agora. Como sempre, gosto de pensar muito na vida, questionar, analisar. E rapidamente percebi que não tenho outra opção, ou encaro, ou encaro. Esta é a minha única opção de vida, o dinheiro não nasce em  árvores, como dizia minha mãe.

Quando estive no bar, acabei ficando com uma depressão muito forte e precisei tomar remédio. pois é, conversando com meu médico de cabeceira aqui na Espanha, chegamos a conclusão que não deveria ter parado, preciso desta medicina. Por alguma questão meu organismo não está se relacionando bem com tanta mudança, tanta exigência, tanta dificuldade, tudo inerente a uma vida nova, num País novo. E, foi assim que voltei a tomar a pastilha da depressão. Voltei hoje. Sei que os próximos 15 dias serão complicadinhos, a adaptação do corpo a este remédio é difícil. Mas vou superar, sou guerreira e vitoriosa. Já venci muitas e esta vencerei também!!!

Se quiser conte aqui, nos comentários suas experiências profissionais fora do Brasil. Quem quiser pode contar suas histórias de superação da depressão. Vou adorar conhecer algo de cada um de vocês.

Um grande beijo.

 

Anúncios
Padrão

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s