Publicado em Cartas

Cartas #2

OI Pai, tudo bem?

Sei que onde você está não é possível ler esta carta, mas acho que você pode sentir-la, não? Eu acredito que sim.

Esta semana conversei com J, meu chefe, sobre a noite que você se foi, mas antes foi me visitar em casa. Lembro bem, eram 4 da manhã, senti sua mão na minha barriga, o peso do seu corpo sentando na cama ao meu lado, coisa que você nunca tinha feito em vida. E ali você conversou comigo e se despediu. Nesse mesmo dia, as 9 horas da manhã, recebi a chamada do hospital, você tinha partido.

Na noite anterior eu te visitei e conversei com você, sobre nossa via passada e futura. Tenho certeza que você ouviu tudo, talvez não racionalmente, mas sim com a alma. E é exatamente isso que busco agora, que me escute com a alma. Depois que você se foi, eu cometi uma série de erros, que agora me cobram uma solução e eu, humanamente não sei o que fazer. Sabe, tenho raiva porque você e minha mãe, viveram suas brigas e não me ensinaram coisas básicas de uma vida adulta, por isso errei. Eu deveria ter aprendido só? Pode ser. Poderia ter aprendido antes, mas o fato é que só consegui aprender agora, já velha. Ao menos imagino que aprendi, depois de passar por isso. Aprendemos mais com os errores, eu sei. Mas queria ter aprendido com o seu exemplo.

Onde esteja, te peço. Me ajuda a pensar numa alternativa. Me ajuda a encontrar um caminho melhor. Se você estivesse junto, parte deste problema eu teria passado, acabo de me dar conta, era minha forma de dizer, eu te amo, estou aqui, sou sua filha, presta atenção. Que infantil de minha parte.

Sabe, esta carta funciona, te sinto aqui, neste quarto. Escuto você falando comigo, uma mescla de como era com a forma que eu queria que fosse. Parece raro, mas sinto sua presença e sei que é você. A presença já não é tão forte como foi naquela noite, é sutil, e provavelmente por isso não te senti muitas outras vezes.Desde que me mudei, ando nessa correria que muitas vezes não sei nem se estou respirando, de tão automáticamente que faço as tarefas do meu dia. Isso é péssimo, preciso de férias, mas não posso agora, preciso trabalhar e resolver isso tudo.

Talvez seja mais fácil assumir que errei e perder, eu sei. Você me diz isso bem contrariado, você nunca gostou de perder. Mas também perdeu, lembra com a casa de Minas? Esta perda me trás benefícios, mas minha raiz 8, me lembra que errei e errei feio. Maldita numerologia! Por que nossa família não é número 3 ou 5? Hum, pensando bem, número 5, o 3 poderia trazer mais fofoca do que já existe hoje. Maldita numerologia, por que fui gostar disso e escutar as suas previsões? Sim, sei, pra você sou uma tonta. Mas esta tonta enfrentou muitas coisas e venceu quase todas, salvo uns pequenos erros que para os 8 é como se o mundo acabasse. Mas eu já falhei, e já me recuperei, lembra? Sou como a fênix, resurjo, com mais força e beleza, a cada dia, de minhas próprias cinzas.

Te deixo, por hoje e agora. Saiba que te tenho sempre em mente. Queria teus conselhos, por isso te escrevi, te chamei. Mas você nunca foi de falar muito comigo, tal como E., me sinto ignorada e por isso…

Um beijo.

Eu

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Autor:

Uma pessoa em constante movimento e crescimento.

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