BEDA#9 – minimalismo no susto

Como contei no post anterior, retornei ao minimalismo no susto, quando meu marido disse que teríamos pouco tempo para fechar toda nossas vidas no Brasil e mudar para a Espanha. Eu tinha alternativa de não aceitar a mudança, mas ele estava decidido e eu, no fundo gostava da idéia de conhecer um pouco do mundo e fazer uma vida num País novo, dando mais oportunidades para meu filho. Tinha medo, claro que tinha, mas quanto mais medo tenho, mais entro de cabeça, sou assim e não consegui mudar isso até hoje. Tem seu lado positivo, mas também tem o ponto negativo que algumas vezes acabo sofrendo. Não digo que vir para a Espanha é um erro, mas sim um sofrimento. Por mais que te digam que uma mudança de Cidade ou País é difícil, você só sabe o quão difícil é quando está dentro do furacão, mas esse é um assunto para outro momento, agora vamos a transformação de todas uma casa em 7 malas.

Comecei o processo anunciando a venda de todos os móveis do apartamento. O que não consegui vender, dei para pessoas que necessitavam ou para algumas pessoas queridas. Livros, Cd’s e Dvd’s foram todos vendidos para um sebo que tem no Centro do Rio de Janeiro, que sempre gostei muito, eles trabalham com todo tipo de livro e são super atenciosos. Nos Cd’s e Dvd’s, praticamente não ganhei nenhum dinheiro, essa mercadoria não tem mais valor, só ocupa espaço, acumula pó e evita a circulação da boa energia em uma casa. Isso da boa energia, aprendi com o Feng Shui e com o Reiki, papo para outro post.

Tenho que confessar uma coisa, não vendi todos os livros, uns tantos que me interessavam arrumei nas 7 malas e mandei pra Espanha. Quando desembarcamos no aeroporto aqui, a polícia me fez abrir mala por mala e explicar porque tanto livro, foi cômico.

Para conseguir espaço para os livros tive que eleger prioridades, disso trata o minimalismo, explicando de um modo mais simples, é definir o que é mais importante para você e, para fazer uma escolha mais acertada, é muito importante saber quem é você, se autoconhecer. Nesse momento decidi, minhas roupas, bolsas e sapatos não me fariam falta, salvei um par de sapatos e roupas que tinham significado para mim e o resto foi todo para um abrigo, onde teriam um bom destino. Para quem me conhece um pouquinho, sabe que bolsas e sapatos eram minha paixão, mas de alguma forma já previa que minha vida aqui seria muito diferente e não teria lugar para usar aquelas peças, nem clima… Na hora doeu me afastar delas, mas foi uma dor passageira, sem arrependimentos.

Seguindo com as malas, minha preocupação maior era de ter a mão coisas que realmente fossemos a precisar, prioridade e necessidade eram as palavras que me norteavam no destralhe. Ao baixar toda a casa para esvaziar todo e qualquer cantinho, descobri que todos os destralhes tinham sido superficiais. Nessa hora se vê quanto dinheiro gastamos que fica parado em gavetas, sem uso. Aqui temos outro ponto muito importante do minimalismo; consumo consciente. Saber o que se compra, como aquilo foi produzido, por quem, como foi transportado, ter atenção a toda a cadeia de produção e descarte, quanto tempo vou usar e a real necessidade. Ao perceber todo o acumulo que tinha em casa, vi que não fazia minhas compras com consciência e, confesso que tive vergonha de mim mesma, pois poderia ter aproveitado aquele dinheiro gasto com coisas que fossem mais importantes para mim.

Pepe Mujica, ex-presidente do Uruguai, diz numa entrevista que dinheiro é mais que um papel ou um metal, é vida, é tempo seu de vida gasto com trabalho e, a vida mal gastada é uma forma miserável de viver. Foi assim que o minimalismo foi calando dentro de mim. Tal como o açúcar, que vicia, o comprar também, porém, ao compreender o que significa o dinheiro, o que significa o tempo de vida de cada pessoa que fez parte do processo de produção do que quero comprar, passei a pensar antes de sacar o cartão de crédito. Ainda cometo falhos, mas menos do que há 2 ou 3 anos atrás. E, naquele momento que estava fechando minhas malas, tinha isso muito claro a minha frente. Quanto tempo de vida trabalhando eu tinha gasto para ter aquelas coisas que agora não fariam mais parte de minha vida. E lembrei do meu pai, que gostava de colecionar e acumular coisas, quanto tempo de vida ele passou trabalhando e comprando, se preocupando em onde e como guardar, em limpar, em proteger, em ter um apartamento maior com espaço para suas coisas e no final cada objeto que tinha em casa se foi para um lugar diferente e ele voltou ao pó, que foi misturado com as águas do mar, que ele tanto amava. No final o que levamos é nada, pois então, que sobre boas lembranças na memória dos que ficam.

 

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