Vida no exterior

 

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Muitos acreditam que viver fora do Brasil é um mar de rosas, oh pobre, como este se engana. A vida aqui é tão dura ou até mais do que quando estava na minha terrinha. Lógico, que com as dificuldades que enfrentam o Brasil e o Rio de Janeiro, pode ser que nós estivéssemos numa situação bem desconfortável, não tenho como saber.

A questão é; fizemos a escolha, fechamos toda a nossa vida, da forma que creiamos ser a mais correta para a situação como se apresentava. Fizemos muitos  planos, porém diria que 90% deles foram pelo ralo e a vida por aqui, teve momentos bem duros. Duros pela falta de trabalho, ou pelo trabalho escolhido. Duros pela falta de dinheiro e pela diferença do idioma, que embora muito parecido causa dificuldades e gera preconceito. Ainda passamos outros momentos difíceis pela falta de apoio familiar (os poucos que ficaram no Brasil) e por não termos Amigos (com A maiúsculo) locais para nos apoiar e abraçar, dar um carinho. Tudo isso nos faz mais fortes, mas tiveram momentos que não resisti e chorei, me afundei na cama com a sensação de que não havia mais saída. Porém a verdade é que sempre há.

De 7 malas, hoje, nossas vidas se transformaram num container de informações e experiências novas. Quando estamos imersos na dificuldade e na dor, não percebemos, mas eu tenho a oportunidade de sair do casulo e vir escrever, me distanciando um bocado de tudo isso e repondo forças. Sigue sendo difícil, ver que todas as suas ilusões não se concretizaram e agora, com a idade que tenho, preciso recomeçar. Mas olha que ponto mais fantástico, estou viva e posso recomeçar, sempre!!! Basta estar viva!!!

Para os que não sabem, fechamos o bar. o El Bendito terá vida nova em mãos de outras pessoas, não fomos felizes ali e sim, acredito que um negócio deve ser rentável financeiramente, mas principalmente, emocionalmente, e não foi o que aconteceu. Se seguíssemos com o bar algo de dinheiro ganharíamos, não o que o tornasse rentável para justificar o tanto de trabalho que dava, porém morreríamos ali… E a vida vale mais, muito mais, do que só um negócio.

O Universo é tão poderoso comigo que saí do El Bendito, num dia, com uma gripe muito forte que me deixou de cama por 4 dias e, quando levantei, já estava empregada em uma multinacional. Sigo meu caminho como comercial, vendendo uma empresa séria e num mercado altamente competitivo, com uma venda de ciclo curto, que até hoje fiz muito pouco, o que significa? Que estou viva e tenho mais uma vez a chance de começar e aprender!!! Aqui na Prosegur, estou há 3 semanas, começando meu trajeto que espero que seja duradouro como foi minha relação com as empresas que trabalhei. Sou o posto mais baixo da hierarquia de vendas, não busco ser chefe, mas quero ser uma Super Vendedora, como já fui no Brasil e, para isso, tenho alguns degraus a subir.

Eu posso, eu sou muito mais do que tudo isso, eu consigo!

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