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Aceitação

Estou aqui, vendo um programa de entrevistas na TV Cuatro. Poucas vezes vejo televisão, temos só uma tv, que normalmente fica com o Enrique e o Luiz Felipe, para que possam ver séries policiais, programação de meninos… como são dois, e eu uma só, sempre perco. Hoje foi diferente, resolvi brigar por meu espaço e consegui que o final do dia a tv fosse minha. Uhuuuu!!! Pude ver na Netflix o filme “Nise – o coração da loucura”, feito pela TvZero e dirigido pelo querido Roberto Berliner. O Roberto é o super craque que fez o programa “Histórias de Adoção”, num dos episódios ele conta a chegada do Luiz Felipe às nossas vidas, e mostra de forma singela a nossa história de amor. Sou fã deste cara, do seu trabalho e da sua empresa e equipe, não podía deixar de ver o filme que relata as dificuldades e conquistas do trabalho da Dra Nise da Silveira. Muito bom, eu super indico!!!

Nise.pngEm seguida ao filme, fui assistir um programa de entrevistas na TV Cuatro. O programa me faz pensar e, me proponho a escrever para ordenar os pensamentos. Como peguei o programa já começado não sei como chegaram ao assunto, nem quem são as pessoas, entrevistador e entrevistado, é a primeira vez que vejo este programa. Mas a pregunta que me cutuca o intimo é, você é feliz?

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O ator responde que está feliz, para ele a felicidade é algo que se busca mas não se tem sempre, porque desejamos o que não temos ou, algumas vezes, queremos que as coisas aconteçam de forma diferente. Por isso estar e não ser, concordo com ele. O ator – que acabo descobrindo seu nome -Miguel Angél Muñoz, continua dizendo que parte da felicidade passa pela aceitação. Espantado o entrevistador pergunta que aceitação é esta, a dos outros? Não, diz Miguel, esta não me vale, é o oposto da felicidade, não tenho que fazer pela aceitação dos outros mas sim aceitar o que me passa na vida, enfrentar.

Puff, sinto uma bofetada na cara.

Toda a minha vida me coloquei em posição de quem precisa de aceitação. Precisava da aceitação do meu pai, para mim, ele só me amaría se me aceitasse. E para que ele me aceitasse eu precisaría fazer o que ele quería, como e quando. Precisava bajular e me anular. Por fim, ele morreu, sem dizer que me aceitava ou amava. E eu continuei… Com minha mãe eu precisava fazer o que ela pedia, como uma exigencia em satisfacer sua vida, para que eu não me sentisse culpada por sua separação com meu pai e por sua infelicidade. Segui minha vida querendo a aceitação de amigos, namorados e de toda pessoa que se acercasse de mim. Muitas vezes fiz e aceitei coisas que não me agradavam, pelo simples fato que eu precisava ser aceita pelas pessoas com quem convivia. Isso se tornou parte do meu viver, e não percebia o quanto me anulava.

Em algum momento da minha vida, despertei e comecei a viver mais livre destes conceitos de aceitação. Se as pessoas gostassem de mim, estaba bem, se não gostassem estava bem também, em alguns momentos escorreguei e caia no loop de ações em busca da aceitação, mas não era mais a minha rotina, o meu modo de viver. Pessoas que não me interessavam ou que me instigavam esse sentimento de necessidade de aceitação eu simplesmente as colocava de lado em minha vida e não as permitia entrar em meu círculo de confiança.

Porém, agora, vendo o programa, percebo que no meio familiar eu não consegui me livrar desta busca implacável pela aceitação. Eu vivi sempre muito só, apenas eu e minha mãe, que sempre estava trabalhando para pagar as contas. Não tinha irmãos, primos/as, tias, avós e avôs para me dar exemplos do viver em familia. Quando conheci a familia do Enrique e fomos aprofundando nossa relação e passei a fazer parte daquele núcleo familiar, ufa, que sofrimento. Aceitava e fazia muito para que me aceitassem, mas, não sou filha e nunca serei, sou a nora, a cunhada e a mulher do primo. Não é com eles que vou recuperar qualquer sentimentalismo perdido com meu pai ou com minha mãe. Estes sentimentos podem existir, mas para serem vistos e resolvidos internamente, comigo mesma, com a libertação da culpa e a minha aceitação.

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Muito bem, agora que sei, que não tenho que ter a aceitação dos outros para ser feliz, como vou agir a partir de hoje? Ah, sim, claro, fazer o que bem me der na telha. Perfeito! Fácil falar! Acontece que depois de 40 anos fazendo para os outros e nada para mim, vejo que nem sempre sei o que quero pra mim.

Então, seguindo o pensamento budista, da simplicidade e do não se preocupar com o que não se faz necessário, bingo! Achei o que preciso!!! É isso, descubrir o que quero para a minha vida!

….

Olho ao redor e vejo que não sei, são tantas as opções.

Começo jogando “bem-me-quer-mal-me-quer”, só que para mim é “sim-eu-quero-não-não-quero”. Hum, mas isso não funciona. Eu preciso aprender a descubrir o que eu quero de verdade.

Volto minha mente para o pensamento budista e me lembro do minimalismo, que tenho pesquisado bastante desde que comecei o processo de mudança de País. A principio buscava formas de redução de meus objetos pessoais, não podía trazer todo o meu apartamento para a Espanha, tinha que reduzir tudo em 7 malas. Cumprida a tarefa de redução dos bens físicos/materiais, continuei lendo e ouvindo vlogs que tratam deste assunto e fui me aprofundando no assunto. O minimalismo tem uma razão de ser muito mais profunda que a decoração e a redução do consumo, isso é só um galho desta grande árvore conceitual. Neste texto não quero me aprofundar neste assunto, vamos falar pouco a pouco sobre isso, o fato que importa agora é o minimalismo de pensamento, de ação, de vida. Muito bem, descobri um ponto na minha forma de viver que quero mudar, agora de forma simples e prática busco uma solução para isso. Pode ser que não a encontre no primeiro passo ou dia, mas sem pressão, sem cobrança, sem muitas volteretas vou viver o dia-a-dia atenta a minha respiração, o que me manterá sempre conectada ao meu presente, ao agora e, assim que perceber qualquer desconforto no meu corpo me perguntarei:

  • O que me incomoda? O que estou fazendo, sentindo, recebendo que não me agrada e gera a sensação de desconforto no meu corpo físico ou emocional?

Posso aproveitar que sou uma pessoa com o perfil sensitivo bem ativo e fazer perguntas direcionadas a minha percepção cinestésica. Posso seguir perguntando:

  • Uma vez descoberto o que me incomoda, eu realmente quero isso pra mim? É imprescindível que aceite isso? O que se pasará se eu recusar?

Existem situações que não poderei recusar, mesmo não querendo vivelas, pois serão inerentes a fatos que não tenho o poder de mudar, ou a pessoas que quero ao meu lado. Por exemplo, há momentos que verei um filme policial para agradar aos meus meninos e para estar com eles, embora eu não goste muito deste genero. Ou ainda, terei que fazer uma dieta e deixar de comer coisas que me agradam muito, pois tenho o colesterol e o peso corpóreo elevado o que me prejudicam a saúde. O segredo destas aceitações é saber que faço a dieta por um bem maior, minha saúde e consequentemente minha vida, afinal quero viver muito, até os 104 anos. O mesmo modo de pensar pode servir ou não para o filme policial, um dia posso ver por querer estar com os meninos, mas outro dia posso preferir fazer algo para/por mim.

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Viver a vida em familia, ou com amigos, não é viver a vida do outro, como muitas vezes fiz, mas sim, viver a minha vida, mostrando quem eu sou, o que gosto, como gosto, mas aceitando partilhar momentos com os outros e suas preferencias. Respeitando os momentos, espaços e escolhas. Penso como é isso no dia-a-dia… Hum, não é tão simples como escrever estas linhas, afinal ficamos enrolados na agitação dos días, nos afazeres de casa, no trabalho, na família e nos amigos. Acredito que tudo começa com organização, respiração, presença e a simplicidade do pensar budista e minimalista.

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Me ponho uma meta, um reto, para esta semana. Por uma semana vou acordar um pouco mais cedo para ter tempo de meditar, respirar e começar o dia com calma e foco, fazendo uma coisa por vez, tranquilamente e acreditando em mim e no fluxo positivo da vida. Por uma semana, tempo curto e plausível para implementar algumas mudanças. Acompanhem!

Beijos, bicos y besos.

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Autor:

Uma pessoa em constante movimento e crescimento.

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