Educação na Espanha

Aqui na Espanha há uma lei muito interessante. Se onde moro tiver alguma criança que eu perceba que não vai a uma escola, eu posso denunciar e os pais ou responsáveis da criança vão presos. Sim, isso mesmo, criança fora do colégio dá cadeia!

Do meu ponto de vista, aqui começa a grande diferença para o Brasil. Não vou falar de estatística porque não tenho estas informações, mas por vivência sei que a grande parte das crianças de família de baixa renda no Brasil não tem o hábito de ir a escola. Andando um dia pela rua, quantas crianças se vê nos sinais jogando bolinha, fazendo palhaçada a troco de algumas moedas? E o pior, muitas vezes com adultos por trás abusando do trabalho destas crianças para benefício próprio.

Muito bem,  no terceiro dia de Espanha, fomos ao departamento de educação da Xunta de Galícia. Mostramos nossos documentos, nosso empadronamento e em menos de meia hora a senhora já tinha uma documentação assinada liberando uma vaga para o Luiz Felipe no colégio mais perto da nossa casa. Ela nos instruiu a ir no colégio, finalizar o processo de matrícula e verificar com eles sobre:

  • material escolar
  • transporte para o colégio (ida e volta)
  • comedor (café da manhã e almoço)

Ao chegar no colégio, em outros 30 minutos finalizamos a matrícula do Luiz Felipe. Recebemos o roteiro dos ônibus para levar as crianças ao colégio, com horários e nome dos monitores de transporte. E, recebemos um documento informando o valor das refeições e onde deveríamos fazer a inscrição para que nosso filho pudesse comer no colégio. Vocês notaram que só agora falei em valores????

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Este é o Colégio do Luiz Felipe, CEIP Ramón Cabanillas. O colégio é bem antigo, porém a construção é super recente, não tenho certeza, me parece que foi entregue há comunidade local (bairro) há no máximo 2 anos. Suas instalações são primorosas; as salas de aula muito bem iluminadas, aquecidas e equipadas. Os profissionais tratam a todas as crianças com muito respeito, segundo o Luiz Felipe este colégio se iguala ao Sesi de Jacarepaguá, mas para mim com diferenças distintas relacionadas a Educação proposta por cada País. Veja:

  • o colégio é público, não pago para o Luiz Felipe estudar. Lembram da lei que falei no inicio deste texto? toda criança deve estudar, caso contrário seu responsável/tutor, poderá ser preso? se é assim, o governo dá boas escolas para a população, assim pode exigir.
  • aqui o Luiz Felipe estuda, além das matérias tradicionais; o galego (idioma local da região que moramos), o castellano (principal idioma da espanha e dos países de origem hispana) e um básico de inglês.
  • do 6º ano em diante ele terá uma matéria letiva dada em inglês, para que o aprendizado deste idioma seja mais efetivo. É comum na Europa as pessoas falarem mais de 3 idiomas. (*)

    (*)Uma amiga, que mora na Holanda, me contou que foi levar seu filho no barbeiro e descobriu que o rapaz fala 6 idiomas e está aprendendo o 7º, o português.

  • o material escolar foi dado ao Luiz Felipe, não comprei livros, os livros dados são cuidados pelos alunos, com a instrução dos professores, para que os mesmos possam ser aproveitados depois por outras crianças.
  • o transporte escolar não é pago, são ônibus em perfeito estado de conservação que pegam as crianças em pontos determinados, tem um na porta da minha casa, mas, como não estamos trabalhando preferimos levar e pegar o Luiz Felipe todos os dias, assim ficamos mais tempo com ele e acompanhamos este inicio de vida num novo País.
  • o comedor é pago, o valor é de 1,50Euros para cada café da manhã e 5Euros para cada almoço, não é caro, é um excelente preço. Mas, como não estamos trabalhando, queremos preservar as refeições em família. Aqui fazemos 4 refeições ao dia, e todas, absolutamente todas à mesa, sem televisão ligada, ouvindo música clássica e/ou instrumental, de forma que possamos nos acalmar de qualquer agitação externa e possamos conversar sobre as coisas que nos acontecem.

Conseguem perceber os ganhos que estamos tendo com relação ao colégio? Conseguem perceber os ganhos que estamos tendo em relação a união da nossa família?

Tenho que falar de um ponto extra, a professora do Luiz Felipe, que mulher encantadora. Tia Angelica, Lu e Tati do Sesi não podem ter ciúmes, vocês foram especiais demais para o Luiz Felipe e não imaginava encontrar uma professora como vocês, mas aqui encontrei. Hoje ele tem a professora Carmen!

Nos 3 primeiros meses do Luiz Felipe no colégio eu não podia pegar ele na hora da saída, pois estava estudando, estava no curso intensivo de espanhol para conseguir me comunicar um pouco por aqui e para tentar ajudar meu filho no colégio. Mas, muitas vezes, no longo caminho a pé que fazia da USC para o apartamento eu cruzava com a professora dele. Na primeira vez que isso aconteceu me surpreendi de tal forma por ela me parar na rua, me reconhecer (afinal só tinha me visto uma vez) e contar como estava meu filho no colégio. E outras tantas vezes ela veio falar comigo, alguns dias perguntava o que tinha acontecido que ele estava mais tenso, outros vinha elogiar que ele tinha tido atos incríveis em sala, outros nos parabenizar pela educação e acompanhamento, outros dizer que ele estava com castigo, sem recreio por não ter feito tarefas ou por disputas com os outros meninos. Em uma de nossas conversas ele se mostrou altamente compreensiva com todas as dificuldades de um recomeço de vida, se colocou a postos para nos ajudar no que for preciso com o Luiz Felipe e me instruiu em como fazer com ele, em casa, para manter seu entusiasmo com o colégio, mesmo com as dificuldades que ele pode ter com o aprendizado de novos idiomas, tão parecidos e tão distintos entre si.

Num desses encontros ela me contou que o Luiz Felipe logo na primeira semana já conhecia a todas as crianças do colégio, já estava perfeitamente adaptado e se virava bem, tentando fazer que os novos amigos entendessem o que ele fala e os amigos, tal como ele, faziam de tudo para que ele se enturmassem.

Muitas pessoas falam e é verdade, as crianças se adaptam com muito mais facilidade que nós adultos. E agora, como mãe babona que sou, tenho que dizer, o meu filho é sensacional, ele tem uma capacidade de conquistar as pessoas e de adaptação incrível. Muitas vezes olho pra ele, pra vida que teve e penso: por que chorar? por que ficar triste? por que ter medo? abra os braços para o mundo e vá, de cabeça, com um sorriso de um canto a outro do rosto, esse é o recurso que o Luiz Felipe usa. E assim, ele conquistou os amigos e a professora no colégio.

Hei, mas este post era pra falar da Educação na Espanha e não do Luiz Felipe. Mas, agora que foi, tá ai, Luiz Felipe e a Educação na Espanha.

Resumo disso tudo?

Além do Luiz Felipe estar super adaptado ao colégio, feliz com os amigos e a professora e lutando dia-a-dia para aprender os idiomas locais, posso dizer que a diferença entre os Países da Europa e o Brasil começa na educação. A educação pública daqui tem qualidade de educação particular no Brasil. Pode chegar algum momento que eu queira escolher um colégio para o Luiz Felipe diferenciado, há colégios Concertados (que são pagos parte pelo Governo e parte pelos pais dos alunos) e há colégios Particulares e Internacionais, totalmente custeados pelos pais dos alunos. Pode ser que um dia eu mude, não sei, o fato é, o básico tem a qualidade do Brasil… e o básico é obrigatório para todos. Outro dia saiu na mídia um casal que foi preso porque mantinham as crianças presas dentro de casa, sem estudos.

É isso, vale refletir..

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