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Hoje eu chorei

Eu nunca tinha viajado para fora do Brasil. Nasci em Pouso Alegre, MG, e com 2 ou 3 anos fui para o Rio de Janeiro. Diz minha mãe que eu tinha um desenvolvimento diferente das outras crianças e ela precisa de um médico, especializado, para descobrir o que eu tinha. Não sei bem se este era o motivo, se fosse somente isso ela poderia ter me levado para São Paulo que ficava há 2 horas da Cidade que morávamos, enquanto o Rio de Janeiro estava há 6 horas de viagem.

O fato é que no Rio de Janeiro estava meu pai e, no fundo, eu acredito que ela queria se reaproximar dele para fazer o casamento dar certo. Eles estiveram vivendo juntos por cerca de 2 anos. Isso depois de casar, porque naquela época tinha que casar no civil e na Igreja. Contam que o casamento foi bem atribulado, muitas brigas, muitos tapas e choros, até que meu pai resolveu sair de casa e da Cidade e se mudar para o Rio de Janeiro com a desculpa de trabalho.

E assim foi, fomos para o Rio de Janeiro, e eles voltaram a viver juntos. Tenho algumas lembranças dos 4 a 6 anos, que foi o período que meus pais voltaram a se separar, em definitivo. Enquanto isso acontecia, os médicos faziam trezentos exames para descobrir o que eu tinha. Muitos exames, muita invasão, pouca explicação, tudo para descobrir uma coisa bem simples, tenho um problema hormonal e ponto. Tomo um remédio para suprimir a produção exagerada de um hormônio e assim está, vida normal.  Mas para minha mãe e meu pai que estavam em pé de guerra nada era normal, tudo era culpa de alguém… Foi assim que cresci, no meio de culpas e separação. O resultado foi uma criança extremamente tímida. Quem me conhece hoje não vai acreditar, mas até os 19 anos eu falava, mas com pouquíssimas pessoas. Era extremamente desconfiada e quase não tínha amigos. Lembro uma vez, com 16 anos, a dona de uma papelaria, que eu sempre passava as tardes com ela, me dizer que eu deveria sorrir mais e, quando fizesse isso, que permitisse que as pessoas vissem meu sorriso. Ninguém via, eu escondia com as mãos… Eu era assim.

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Contei tudo isso para dizer, que jamais na minha vida eu imaginaria que, um dia, iria morar fora do Rio de Janeiro, Cidade que me acolheu e que amo de paixão. Muito mais que iria morar na Europa. Duas ou três vezes tentei planejar viagens de passeio, e sempre davam por água abaixo. Acontecia de tudo e eu não podia viajar. Viagens a trabalho fiz muitas: São Paulo, Curitiba, Porto Alegre, João Pessoa, Belo Horizonte, Petrópolis, Teresópolis e mais umas outras tantas. Viagens a passeio, planejada e com passagem comprada, só uma, para Arraial D´Ájuda (e olha que precisei da ajuda de todos os santos para que essa viagem vingasse, até o último minuto acreditava que ela não seria possível). Não sei o que passa, mas a Deusa das viagens nunca esteve ao meu lado, abrindo caminhos. E, em 2016, ela não só abriu o caminho, como baixou o vôo, me colocou dentro, com 7 malas e me colocou aqui, sem direito a retorno.

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Não foi nada fácil chegar aqui. Os últimos 7 meses que estive no Brasil, foram difíceis, oh que difíceis. E agora os 4 meses que estou aqui, ufa, continuam sendo. Mas estar hoje, no meio da Praça do Obradoiro, ouvindo o som de uma gaita de fole, as badaladas dos sinos da Catedral avisando que eram 12 horas e o fraco sol do inverno batendo em meu rosto, me fizeram chorar de emoção. Eu estou aqui, eu estou aqui, aqui vou ficar e aqui vou vencer todas as batalhas, com as bençãos de Santiago de Compostela e de todos os Santos que estão em sua Igreja, com a minha força e a determinação de que o meu destino é repleto de sucesso, eu vou vencer!foto_pb_catedral_santiago_entrada_rua-nova

 

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8 comentários sobre “Hoje eu chorei

    • oi Dai, desculpa não ter te respondido antes, não recebi a notificação da sua mensagem. Uma honra ter você por aqui, se ver algum erro feio me fala, você tem todo o direito a puxar minha orelha!! hehehe
      Então a vida deu uma volta danada, desde 1998, quando nos conhecemos e você me apresentou o Sr. Enrique, lembra disso??? Pois é, desde então vivo situações que jamais podería imaginar em minha vida. A vida aqui promete ser boa, por enquanto não é muito fácil, são muitas coisas para resolver, um novo idioma e cultura para aprender e se adaptar. Tenho acompanhado algumas notícias dai e visto como está o Rio e o Brasil, uma tristeza. Espero que melhore, este gigante não pode adormecer.
      Não vamos perder contato, a distância fica pequenina com a internet.
      Muitos beijos e fique sempre a vontade por aqui.
      (vou ver como ser informada dos comentários para não deixar tanto tempo sem resposta).
      beijos e beijos,

      Curtir

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