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Roseana Murray

Um dia meu nome saltou das prateleiras. Estava numa loja namorando capas, perdida em palavras soltas, letras voando por minha mente e num passe de mágica as letras formavam meu nome, mas não meu sobrenome e eu li: ROSEANA MURRAY. Corri minhas mãos pelo livro, era preciso. Verde e colorido, fino e com um grande laço vermelho. O texto pequeno, mas mais valioso que a beleza conjunta da obra. Não resisti e levei para casa como uma jóia, muito rara, que havia encontrado.

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Passado muitos anos, aquele mesmo nome que saltou aos meus olhos na livraria, pulava e brilhava no meu facebook. A maravilha da modernidade tecnológica me fazia encontrar aquela pessoa, com nome igual ao meu, mas com um dom ímpar, de dar melodia para as palavras e frases. Com coragem um dia pedi para a conhecer, e ela abriu as portas de sua casa. Foi mágico, conhecer uma escritora, uma mulher, com uma história forte e que dela mal sei um traço, mas o nada que sei me mostra que a vida vai além daquelas idéias que tinha de mundo.

2016-01-29 15.32.45.jpgSeu olhar é distinto, vibra luz, poesia. Não vê um por do sol, vê o sol, o por e todos os seus componentes. Não vê um jardim, vê suas cores, suas vozes e cheiros. Com ela, mesmo distante, vou aprendendo a ver a vida com sentidos que nunca usei.

Este blog tem um nome proposto por ela!

Hoje é seu dia, ela completa mais um ciclo de vida, dedicado com amor a arte de escrever e recitar a vida. Agora, além de encantar seus leitores com lindas palavras, envolve a todos com o paladar maravilhoso de seus pães, adoçados com o amor que tem pelo dividir.

Querida Roseana Murray, te conhecer foi uma benção!

Só posso desejar que o mundo tenha mais pessoas como você, desejosas de que o conhecimento chegue a todos os cantos. Pessoas que levam doçuras embaladas em versos para compor páginas encantadoras. Desejo o poder do desejo e da realização para sua vida. Desejo novos encontros com sabor de vida. Você faz a vida dos contos de fada, ser real. Você é uma fada, que encanta com guloseimas e palavras. Toda a felicidade para você, neste novo ano de vida. Um grande e afetuoso beijo, em seu coração.

Com sua permissão repito aqui seus versos:

Uma estrela vem espiar:

estrelas são iluminadas

flores noturnas

no quintal do céu.

Numa jarra flores

em equilíbrio

como aéreos sinos.

Do meu poema faço um jardim,

violetas, dálias, rosas, jasmim,

colorida guirlanda de palavras

e vento.

Extraído do livro: Jardins de Roseana Murray com desenhos de Roger Mello para a Editora Manati – o único, da minha coleção,  que não ganhou autógrafo da Roseana.

 

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Tempo para fortalecer

30 x 3 = 90 = 9

27 = 9

Para mim, hoje, todos os caminhos levam ao 9.

Segundo Pitágoras, o 9 é o número que engloba todos os outros, é o ápice. No taro este número é representado pelo Ermitão.

Um velho, solitário, com uma única luz, um bastão…

Tanta representação numa carta, tanta tristeza e uma luz. A tristeza da história vivida e da falta de alguém e a luz, levada por ele, a sua frente e acima, junto a cabeça.

O bastão em algumas representações é a foice. Ao mesmo tempo guia serve de corte. O que corto? Para onde guio?

Corto a tristeza que não pode fazer parte de mim por muito tempo, a solidão que não rima com a completude do número, mesmo que ímpar, capaz de conter todos os outros em si.

Guio para um lugar de paz, luz, sol, longe do frio absoluto.

Busco o homem velho e sábio que habita em mim, o inicio de um novo ciclo, depois do 9 tudo começa com o 1, o SOL. Mas para ser SOL, preciso da sabedoria e introspecção do 9. Viver este momento dói, arde a pele e queima a alma. Jejuo a ausência do sorriso, o abraço dos amigos e o carinho materno.O sol brilha lá fora e aqui as paredes, janelas e portas cerradas escurecem o quarto gelado do inverno europeu. Assim também está meu coração. Quero despertar, rolo, grito, soco… ninguém me ouve. A batida triste do tambor, os gritos que ecoam acima de minha habitação, o vizinho jogando palavras inaudíveis para sua mulher, escorrem pelas minha paredes e a dor da solidão aumentam. O que posso fazer? Agora tenho que baixar os olhos e mirar dentro, para renascer em breve com as forças do auto reconhecimento. uma coisa por vez, uma dor por vez, um pedido por vez, um grão por vez… Um a um, vou subindo os degraus para romper a pirâmide que me enclausura.

Pela mitologia esta carta representa Cronos, Deus do Tempo. E, diz que temos que aprendera quarta e última lição moral, a lição do tempo e das limitações da vida moral. Nada permanece inalterado, o Rio, que atravessamos, muda a cada momento, assim é nossa vida, mas este aprendizado não vem fácil, junto com ele ganhamos experiência e dores do aprendizado vivido. Na mitologia Cronos é destronado e  humilhado, deve aprender com a solidão e no silêncio de sua dor. Aceitar sua situação, por mais rodeado de pessoas que esteja, a vida corre no seu ritmo, seu destino e por fim, estamos sempre sós, as principais escolhas, os mais nobres aprendizados são íntimos e só podemos passar por eles assim… Só a persistência e o tempo nos liberta, ter serenidade nestes momentos é difícil, mas é preciso. Não resista, deixe fluir, enrole-se como um caracol, mas permita o giro da vida.

Depois desta oportunidade sua fortaleza ressurgirá e tal como a história dos castelos e templos deste solo que pisa, você vai vibrar e brilhar com o SOL que está acima de seu nome e destino.

Agora é tempo de espera, plantar para fazer uma farta e bela colheita. Saiba desligar-se das cobranças internas e externas, aprenda a meditar, jejuar, aceitar. O que parece uma perda não é, acredite! É tempo de orientar-se, absorver dados para  em breve tornar-se bússola.